Jorge Amado

Nascido em 1912, Amado começou pelo que se chamava então “romance proletário”, que praticou tanto em relação aos trabalhadores rurais (Cacau, 1933) quanto urbanos (Suor, 1934). À maneira de Lins do Rego, foi produzindo como se tivesse projetado um ciclo sobre o povo humilde de sua terra e, de fato Romances da Bahia é a designação com que reuniu os dois citados e mais três, entre os quais Jubiabá (1935). Nesses livros o negro entrou pela primeira vez na ficção brasileira, com sua poesia e sua pobreza, as suas lutas e crenças.

Escritor cursivo, irregular, Jorge Amado insulflou todavia na sua obra uma poesia e uma vibração que pareciam redimir as falhas, tornadas no entanto bastante visíveis pela passagem do tempo. Nesses romances há um intuito ideológico ostensivo demais, que, por não ser incorporado como elemento necessário à composição, parece com frequência superposição indigerida.

Isso se atenuou em livros posteriores mais bem feitos, como Terras do Sem Fim (1943), até desaparecer na obra madura, onde o ataque ideológico cedeu lugar a uma identificação afetiva como o povo, cujos lados pitorescos aparecem realçados por um humorismo picaresco e sentimental, numa prosa generosa, comunicativa, que fez de Jorge Amado o romancista mais popular do Brasil, e o único a conquistar públicos apreciáveis no exterior.

Com o tempo ele se tornou uma espécie de figura tutelar da Bahia, cuja realidade complexa e festiva soube tão bem representar na literatura. Gabriela, cravo e canela (1958), Os velhos marinheiros (1961), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tenda dos Milagres (1969) representam bem a fase mais madura de sua produção.

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