FAQ Globalização Econômica, Liberalização e Blocos Regionais

1. Defina e explique as principais características do processo de globalização:

Desde o início do capitalismo observa-se uma tendência à ampliação do mercado, que ultrapassou as fronteiras das nações. Essa internacionalização do capital ocorreu por meio da:

  • intensificação do comércio entre países
  • concessão de empréstimos
  • instalação de empresas estrangeiras, multinacionais

Algumas características próprias desse processo são:

  • empresas não tem todo processo de produção concentrado em um único dos vários países em que atuam; em sua sede são tomadas as principais decisões de produção e são controlados processos intermediários e finais da produção realizado em países ondes as condições de salários ou de custos em geral são melhores
  • é necessária alta tecnologia nas áreas de telemática e informática para que essas empresas possam se comunicar, recebendo de forma exata e rápida as ordens da matriz e informando sobre os processos de produção
  • os processos de definição dos produtos – design, material, técnicas, etc – são sofisticas, mas a multiplicação das mercadorias são simples, para que se dê sem problemas em países onde os custos são baixos (na ponta da cadeia produtiva, é preciso que o trabalho seja simplificado)
  • há homogeneização dos padrões de consumo, pois aumenta a escala de produção dos grandes grupos econômicos que atuam na economia globalizada
  • os capitais fluem de um país para o outro em grandes volumes e rapidamente (o que é facilitado pelo desenvolvimento tecnológico)
  • há difusão dos padrões de gestão e de produção, como nas franquias
  • há um crescimento das operações financeiras e a importância do pagamento de juros em relação ao pagamento de lucros

Por essas características indicam crescimento da concorrência entre países em nível mundial.

2. Comente a relação entre globalização e liberalização:

Como o aumento da concorrência tem por objetivo ganhar mercados, o processo ensejou uma liberalização das economias que inclui o afastamento do Estado em alguns setores e áreas econômicas. A tônica comum da globalização nos anos 1980/90 foi a liberalização por meio de privatizações, desregulamentação, abertura do comércio e liberdade de movimento de capitais, ampliando, assim, o espaço para funcionamento das leis de mercado.

3. Por que os neoclássicos defendem a globalização como um elemento que leva à estabilidade e facilita o processo de crescimento?

Eles acreditam que os mercados refletem interesses individuais e que, à medida que cada indivíduo busca seus próprios objetivos, contribui para o progresso coletivo. Partindo dessa premissa, acreditam que o sistema de mercado é o melhor regulador econômico. Assim, economias tendem ao equilíbrio e as flutuações são transitórias ou causadas por fatores exógenos ou independentes das preferências individuais que formam o sistema de preços (como fatores climáticos ou intervenção do governo).

Nesse caso, a globalização mostra-se interessante, pois se há um terremoto que destrua a produção agrícola de um país, a demanda por aquele produto pode ser satisfeita integral ou parcialmente com importações que compensem a quebra de safra. No caso da intervenção do governo, os neoclássicos a consideram causa de desequilíbrio e globalização neutraliza o papel do governo, ampliando o poder do mercado.

4. Por que, para os neoclássicos, a globalização reduz as desigualdades?

Pois os investidores buscam altas taxas de lucros e de juros, que os neoclássicos julgam ser maiores justamente nos países menos desenvolvidos, já que há mais possibilidades de se investir onde pouco já foi feito em termos de infra-estrutura, novos negócios, etc. Isso demontra uma confiança dos neoclássicos nos mecanismos de mercado.

5. Quais são os problemas associados à globalização na perspectiva keynesiana?

Os keynesianos acreditam que o mercado não é o melhor regulador da economia e, assim, propõe que o Estado compensem seus problemas (incertezas e efeitos das mesmas sobre os agentes econômicos) com intervenções. Como a globalização reduz o poder de atuação do Estado e amplia os fatores de instabilidade econômica (pelo tamanho dos mercados financeiros que movimentam rapidamente recursos quando as fronteiras estão abertas), a globalização pode ser problemática.

A facilidade de migrar amplia o movimento de capitais entre países ou aplicações, o que afeta o preço dos ativos. Essa flutuação afeta a capacidade de produção, de empréstimo e de pagamento dos empréstimos dos agentes econômicos, podendo dar origem à instabilidade (como na América Latina e Ásia nas crises da década de 1990). Assim, instabilidade, incerteza e o aumento da vulnerabilidade dos países são problemas identificados pelos keynesianos.

Em relação ao volume dos capitais que migram, muitas vezes maiores que o PIB dos países envolvidos, deixam os governos sem força para contrabalancear os movimentos de capitais, e a solução é diminuir o movimento de capitais com regulamentação.

6. Quais elementos levam os keynesianos a acreditar na acentuação das desigualdades regionais, em um contexto de globalização?

A incerteza é um desses elementos, pois é maior em países e regiões menos avançadas. Ali, não há mercado financeiro bem desenvolvido para aplicação em vários ativos, o que inibe o investimento.

Outro elemento é a falta de renda que não cria uma demanda forte. Assim, os agentes preferem investir em regiões mais bem desenvolvidas, o que conduz a vazamentos de renda.

Finalmente, os países menos desenvolvidos costumam importar muito das regiões mais desenvolvidas por não produziram boa parte do que consomem. Isso incrementa o vazamento de renda, a incerteza, leva a maior retenção de moeda e menor gasto em investimento.

Por isso, os keynesianos acreditam que o Estado deve implantar políticas compensatórias que garantam investimentos nas regiões mais pobres, o que não acontece quando o Estado perde poder regulatório face à liberalização da globalização.

7. Como os marxistas vêem a relação entre concorrência, concentração e centralização de capital?

Para eles, os problemas decorrem da lógica concentradora de capital e de exclusão social do capitalismo, o que está relacionado à oposição entre capitalistas e trabalhadores e à concorrência entre capitalistas. O acirramento dessa concorrência provocado pela globalização agrava problemas de desigualdade e gera crises no capitalismo globalizado.

Os marxistas identificam o papel da moeda e do crédito nas economias capitalistas como fator de instabilidade financeira. Para eles, as flutuações das moedas nacionais têm aumentado com a globalização, já que começaram a ser negociadas livremente como ativos financeiros, o que dificulta seu papel de articulação de processos e etapas de produção e classes sociais ao longo da acumulação de capital.

O crédito para os marxistas se desenvolve mesmo numa economia fechada para acumulação de capital. Numa economia globalizada há crescimento exagerado da estrutura financeira relacionada à estrutura produtiva (financeirização das economias). Assim, o crescimento dos pagamentos de juros estimula a aplicaçnao dos recursos na esfera financeira em detrimento das aplicações na produção, o que leva a crises de produção.

8. Quais os argumentos dos marxistas para o crescimento do desemprego com a globalização?

Para eles, a concorrência leva à formação de oligopólios e monopólios ou à concentração de capital, pois o objetivo de lucro e a concorrência conduzem à busca de lucros máximos que só são atingidos com o progresso tecnológico que tende a ampliar ao máximo a produtividade do trabalhador. Se alguns capitalistas conseguem produzir a custos mais baixos e vender a valores correspondentes às condições médias, eles obtem superlucros.

Nem todos conseguem isso, pois pesquisa ou escalas de produção muito altas são caras e estão apenas acessíveis a alguns capitalistas maiores. Dessa forma, esses capitalistas concentram cada vez mais o capital existente (sobretudo pela aquisição ou fusão de capitais menores).

Assim, além de fomentar a desigualdade entre países e regiões, a centralização de capital tende a desempregar enorme massa de pessoas (desemprego tecnológico). Por isso, a exclusão social, já inerente ao processo capitalista de produção, se acirra com a globalização.

9. Com base nas diferentes opiniões dos neoclássicos, keynesianos e marxistas sobre liberalização, justifique as diferentes visões sobre a formação de blocos regionais:

A formaçnao de blocos significa liberalização de mercados entre países que o compõem e redução do papel regulador dos Estados nacionais. Logo, quem crê no poder regulador do mercado (neoclássicos) costuma ver na formação de blocos vantagens para os países participantes. Já o que acreditam no papel interventor ou regulador do Estado temem as dificuldades a serem enfrentadas com as liberalizações dentro dos blocos, o que ocorre pela perda da força interventora ou pela necessidade de abdicação de políticas econômicas direcionadas a problemas específicos em favor de uma política comum a diferentes países.

Os marxistas, que julgam a concorrência responsável pelo aumento de desigualdades, acreditam que quanto maiores as diferenças entre países, ou dentro de cada país, e quanto mais profunda for a integração regional, mais prejudicados os países e regiões menos desenvolvidos.

10. Quais a principais motivações para a formação de blocos regionais em um contexto de globalização?

O objetivo principal dos acordos de blocos regionais é a melhor inserção internacional do conjunto de países participantes, que, em bloco, contam com mais poder de pressão e negociação. É uma atitude defensiva diante do acirramento da concorrência.

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