Dando continuidade ao marco para um crescimento forte, sustentável e equilibrado…

Quais as prioridades para a presidência francesa do G20 em 2011?

Até hoje, o G20 tem possibilitado trazer respostas coletivas eficientes à maior crise já sofrida desde a da década de 1930.

Em 2011, o G20 terá de concluir os trabalhos já iniciados para enfrentar a crise pela raiz, mas também terá de ampliar sua agenda a novas frentes de trabalho, no intuito de melhorar de forma sustentável a estabilidade e prosperidade mundiais.

Só o G20 tem o peso, a legitimidade e a capacidade decisional necessários para dar os impulsos imprescindíveis ao avanço das grandes reformas econômicas atuais, através das seguintes ações:

1 – Coordenar as políticas econômicas e reduzir os desequilíbrios macroeconômicos globais

Por representar 85% da economia mundial, o G20 é uma instância crucial para garantir a coordenação das políticas econômicas, e menores e maiores prazos. Além da coordenação conjuntural, o G20 criou um marco para um crescimento forte, sustentável e equilibrado, visando a dar nova orientação às estratégias nacionais em uma direção mais favorável à economia global. A França dará sequência a esta vertente em 2011, em particular pelo acompanhamento dos compromissos assumidos na Cúpula de Seul, em que cada país do G20 aceitou aplicar medidas adaptadas a suas próprias condições nacionais para reduzir os desequilíbrios macroeconômicos e consolidar o crescimento global.

2 – Reforçar a regulação financeira

Para a França, será imprescindível zelar pela execução efetiva das regras decididas pelo G20 a fim de reforçar de forma sustentável o controle do setor financeiro. A presidência francesa também mostrará empenho para reforçar a atuação do G20 em áreas em que as regras ainda são insuficientes, por exemplo, em termos de regulação do “setor bancário fantasma” (atividade bancária paralela não regulada até hoje) e integridade e transparência dos mercados financeiros.

3 – Reformar o Sistema Monetário Internacional (SMI)

O recente período foi marcado pela alta volatilidade das moedas, acumulação dos desequilíbrios e busca de um nível cada vez mais alto de reservas de câmbio pelos países emergentes, que podem sofrer movimentos brutais e maciços de retirada de capitais internacionais.

A França deseja trazer respostar coletivas a tais disfuncionamentos, no intuito de impedir que os desequilíbrios econômicos globais se aprofundem.

4 – Lutar contra a volatilidade dos preços das matérias-primas

O G20 debruçou-se na pela primeira vez na questão da excessiva flutuação dos preços das matérias-primas na Cúpula de Pittsburgh, em setembro de 2009. No entanto, poucas foram as medidas concretas tomadas até hoje. A França quer achar soluções coletivas para reduzir a excessiva volatilidade dos preços das matérias-primas, particularmente agrícolas, que está afetando o crescimento global e ameaçando a segurança alimentar das populações.

5 – Melhorar a governança global

Nossas economias precisam de instituições internacionais renovadas, capazes de regular a globalização com eficiência. A França buscará consolidar o G20 no seu papel de primeiro espaço de cooperação econômica, e reforçar a coerência na ação das instituições internacionais nas áreas econômica, social e ambiental, além de identificar as áreas em que essa governança tem se mostrado insuficiente. Esta prioridade implica também em uma maior sinergia entre G20 e ONU.

6 – Agir em prol do desenvolvimento

O G20, que representa 85% da economia global e 2/3 da população do planeta, mostra-se hoje como uma instância pertinente para trazer soluções concretas às problemáticas do desenvolvimento. A Cúpula de Seul, em novembro de 2010, significou um passo decisivo com a aprovação do primeiro plano de ação do G20 para o desenvolvimento. A França mostrará empenho para reforçar esta prioridade durante sua Presidência.

G8

A Cúpula de Pittsburgh, em setembro de 2009, significou um passo de suma importância na reforma da governança global, ao fazer do G20 o “principal fórum de cooperação econômica internacional”, refletindo os novos equilíbrios globais e o papel cada vez maior dos países emergentes. Nesse contexto, o papel do G8 tem evoluído, cuidando para que seja preservado aquilo que diferencia esse fórum, que possibilita discussões diretas e informais no nível dos chefes de Estado e de governo das economias mais avançadas. Durante sua Presidência, a França propõe que este “novo G8” seja focado em questões em que seus integrantes possam ter um impacto real, com o cuidado de não duplicar a agenda do G20.

As três prioridades envolvem: questões de comum interesse para os países do G8; os desafios de paz e segurança internacional; e a parceria com a África.

- Os novos desafios comuns: Internet e crescimento verde. Pela primeira vez, uma série de questões relacionadas à Internet será abordada pelos chefes de Estado e de governo. Nossa proposta é uma ampla discussão das diferentes questões e desafios. No que diz respeito à inovação e crescimento verde, o objetivo é identificar medidas concretas para desenvolver essas áreas de crescimento e emprego fundamentais para nossas economias avançadas.

- As questões de “Paz e Segurança” serão uma vertente essencial da Presidência francesa do G8. Além das questões políticas (Irã, Oriente Médio, Afeganistão, Paquistão, não proliferação, etc.), a Presidência francesa terá uma preocupação redobrada com as novas rotas do narcotráfico entre os países da América Latina, África ocidental e Europa, bem como a luta contra o terrorismo, principalmente na região do Sahel.

- Parceria com a África. O G8 tem cumprido um papel fundamental na mobilização em prol do desenvolvimento, em especial para a África. Será criada uma sessão do G8 ampliada a governantes africanos e alguns representantes de organizações internacionais. Nela, serão discutidos os grandes desafios políticos e de desenvolvimento. Também daremos sequência ao exercício iniciado pela Presidência canadense, no que tange ao acompanhamento dos países do G8, em áreas como saúde e segurança alimentar, num espírito de “responsabilidade compartilhada” com os países africanos.

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