O Nordeste

O Nordeste Brasileiro pode ser dividido em sub-regiões:

  1. Zona da Mata: faixa úmida litorânea onde proliferaram as culturas da cana-de-açúcar e do cacau
  2. Sertão: abrange todo o domínio da caatinga, historicamente ligado ao latifúndio algodoeiro-pecuarista e ao poder político dos “coronéis”
  3. Agreste: entre o Sertão e a Zona da Mata, marcada pelo parcelamento da terra e pela policultura familiar, que fornece alimentos para as grandes cidades
  4. Meio-Norte: Porção ocidental do Piauí e Maranhão, entre os domínios semi-árido e equatorial. No Piauí, houve ocupação pecuarista e o, no Maranhão, um trampolim para a ocupação da Região Norte (muito mais ligado a essa região que ao Nordeste)

Planejamento Regional

O conceito de região de planejamento surgiu nos EUA durante a Grande Depressão. FDR criou diversos programas de obras públicas (como o Tennessee Valley Autority – TVA) para desenvolver determinadas regiões.

O Nordeste, que registra secas pelo menos desde o século XIX, viu a criação de órgãos para deter seus efeitos ainda em 1909 (Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – IFOCS -, transformado em 1945 no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS). Esses órgãos atuavam no chamado Polígono das Secas, uma zona demarcada no Sertão e no Agreste que exibe condições climáticas e ecológicas propícias a esse fenômeno. Essa chamada “política hidráulica” originou a “indústria da seca”, onde as obras funcionavam para valorizar propriedades.

Inspirada na TVA americana, foi criada em 1948 a Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), que deu lugar à Superintendência do Vale do São Francisco (SUVALE) e, finalmente, a CODEVASF.

Munida de um instituto de defesa desde a década de 1930 (o IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool), a agroindústria sucro-alcooleira ganhou um poderoso estímulo em 1970 com o lançamento do Proálcool. Entretanto, a produção do NE foi perdendo importância relativa para a produção de São Paulo.

A decadência do Nordeste açucareiro coincidiu com a do Nordeste cacaueiro na Bahia, na década de 1960, devido à concorrência com produtores africanos e à queda dos preços no mercado internacional. O golpe final veio nas décadas de 1980-90 com a praga Vassoura-de-bruxa, que dizimou plantações e desvalorizou terras. O monopólio do cacau na região foi substituido pelo plantio de frutas tropicais, pelo turismo e comércio. A oligarquia do cacau desapareceu quase sem deixar vestígios.

Nos anos 1950, foi criado o Banco do Nordeste do Brasil. Em 1957, JK formou o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), cujo relatório enfatizava o aprofundamento das desigualdades regionais no Brasil e ensejou a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), em que a indústria era proclamada como o caminho para o desenvolvimento da região e os investimentos do Sudeste no NE passaram a receber diversos incentivos.

Após o golpe militar, as reformas propostas pela SUDENE foram abandonadas, embora o projeto de industrialização não fosse descartado. Na Bahia, essa estratégia levou à criação do Polo Petroquímico de Camaçari e do distrito industrial de Aratu (ambos na região metropolitana de Salvador). Esse parque industrial é maior receita tributária do estado.

Outros polos foram:

  • Indústria de fertilizantes em Sergipe
  • Complexo químico de salgema (Alagoas)
  • Indústria de bens duráveis controladas por capitais do Sudeste em Pernanbuco (Jaboatão, Paulista e Cabo)
  • Polo têxtil de Fortaleza

O Nordeste emergiu, então, como região industrial periférica, conectada aos capitais do Sudeste.

NE e a Globalização

Na década de 1990, a abertura de economia brasileira à concorrência internacional e as estratérigas de atração de investimentos voltados para a competição globalizada impuseram a adoção de novas formas de intervenção no espaço nordestino, como:

  • revisão de prioridades setoriais nos incentivos da SUDENE, agora, não exclusivamente industriais
  • apoio aos novos centros produtores de frutas
  • turismo no litoral e nos brejos
  • prioridade dada a projetos de infraestrutura
    • Ferrovia Transnordestina (entre os portos de Suape – PE e Pecém – CE)

Novo Ciclo Industrial

A grande diferença do atual ciclo industrial em que vive o NE dos anteriores é a força dos investimentos nas indústrias de bens de consumo não-duráveis, em que os ingredientes decisivos são os incentivos fiscais, as políticas industriais dos estados e a adoção de sistemas flexíveis de organização do trabalho.

No Maciço do Baturité (sul de Fortaleza), por exemplo, formou-se um polo de confecções, cuja matéria-prima é importada e o processo produtivo é terceirizado a cooperativas de costureiras nos municípios próximos. Esse modelo, que se reflete no desamparo trabalhista das costureiras e asseguram altos níveis de competitividade (conseguem competir com as empresas chinesas, por exemplo) foi replicado em outros estados como os polos de confecções de Santa Cruz (sertão do Rio Grande do Norte), Campina Grande (Paraíba), João Pessoa e outros municípios.

Ao mesmo tempo, Camaçari continua a impulsionar o setor químico na área entre Salvador e Maceió. Outros exemplos são:

  • Laranjeiras (SE), a Petrobras instalou uma fábrica de fertilizantes
  • Polo Cloroquímico de Marechal Deodoro (AL)

Polos de Agroindústria Empresarial

Uma excessão ao latifúndio monocultor historicamente característico da região é o Polo de Cítricos no sul de Sergipe. Ademais, a modernização da agropecuária se manifesta em alguns lugares no interior do NE, como as bacias leiteiras do Agreste, nos polos de fruticultura irrigada do semi-árido ou nas áreas de cultura de grão no Cerrado (sobretudo na Bahia).

O Agreste, que se estruturara na pequena propriedade produtora de alimentos, viu o avanço da pecuária comercial (de corte e de leite) provocar mudanças sobretudo na Paraíba e Pernambuco com a eliminação de sítios, gerando concentração fundiária e retração da agricultura familiar tradicional. As consequências mais visíveis são a lenta dissolução das estruturas históricas do Agreste e a redução da produção de alimentos. A Bacia Leiteira do Alagoas é o principal exemplo da modernização rural do NE.

No Sertão, o antigo complexo do algodão, pecuária e pequena agricultura de alimentos foi dissolvido pela crise da cultura algodoeira (sobretudo pela praga do bicudo). Foi substituida pela pecuária extensiva de bovinos. No interior, obras de irrigação favoreceram a criação de culturas de frutas tropicais. Um exemplo é o Polo de Petrolina e Juazeiro no médio Vale do São Francisco. O dinamismo da região atraiu fábricas de alimentos, fertilizantes, rações, embalagens, material de construção e bens de capital. Outro exemplo é o Polo de Assu-Mossoró.

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