Amazônia

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O planejamento regional da Amazônia foi deflagrado em 1953 com a criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), cujo objetivo era coordenar planos federais para a região. Sob os auspícios da SPVEA, foi construída a rodovia Belém-Brasília, primeira ligação terrestre entre a Amazônia Oriental e a nova capital e a malha rodoviária do Centro-Sul.

A lei que criou a SPVEA, definiu a Amazônia Brasileira, que não é uma região natural, mas uma região de planejamento (regiões naturais são limitadas por fronteiras zonais, ou seja, faixas de transição entre ecossistemas contíguos).

Em 1966, no contexto do regime militar, a SPVEA foi extinta e substituida pela Superintedência para o Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), que ganhou um poderoso braço financeiro, o Banco da Amazônia (Basa) a fim de financiar grandes projetos privados na região. A lei que criou a SUDAM redefiniu a Amazônia, que passou a se chamar “Amazônia Legal”.

Durante o regime militar, as políticas federais concebiam a Amazônia como região de fronteira, de triplo sentido:

  1. Fronteira Política: Amplas faixas não-ocupadas de fronteira, ou seja, áreas de soberania formal, mas não efetiva. A “conquista da Amazônia” tinha o sentido de levar o poder nacional para essas regiões;
  2. Fronteira Demográfica: A região deveria ser povoada por excedentes populacionais do Centro-Sul e do Nordeste. As rodovias orientariam o povoamento;
  3. Fronteira do Capital: Deveria atrair capitais transnacionais e nacionais em projetos de agropecuária, mineração e indústria.

Os projetos da SUDAM se concentraram na Zona Franca de Manaus e na área metropolitana de Belém.

Em meados da década de 1970, a SUDAM abandonou projetos de colonização dirigida e passou a aprovar apenas megaprojetos, em glebas gigantes de, no mínimo, 25 mil hectares. Ao mesmo tempo, no novo Código de Mineração retirava a preferência da exploração mineral aos proprietários, proibindo pequenos garimpos. Dessa forma, o grande capital substituia os pequenos proprietários como motor da economia regional. Multiplicaram-se os latifúndios com áreas superiores a 300 mil hectares.

O povoamento tradicional da região, com base no extrativismo, consistia numa ocupação linear e ribeirinha. O novo povoamento consistia numa ocupação aureolar, polarizada pelos núcleos urbanos em formação e pelos projetos florestais, agropecuários e minerais. Esse conflito expressou-se como tensão social (grileiros, índios e posseiros) – o arco da violência – e pela modificação antrópica das paisagens e pela degradação dos ecossistemas – o arco da devastação.

O vetor oriental da Amazônia se estruturou na década de 1960 em torno da Belém-Brasília. Ali se iniciou a exploração de minérios na Serra dos Carajás, a Estrada de Ferro de Carajás, o Porto de Itaqui e a hidrelétrica de Tucuruí. Extende-se até São Luís (MA).

O vetor ocidental de ocupação se estruturou a partir da década de 1970, em torno do segmento sul da Cuiabá-Santarém e da Brasília-Acre. No Mato Grosso e em Rondônia, migrantes do Centro-Sul iniciaram uma colonização agrícola que fez surgir vários centros urbanos. Além disso, a criação e consolidação da Zona Franca de Manaus transformou a capital em um importante polo industrial, reforçando seus vínculos com o capital do Centro-Sul – e substituindo Belém como metrópole regional.

Amazônia Oriental

Programa Grande Carajás

O Projeto Ferro Carajás, ponta de lança do PGC, gerenciado pela CVRD, produz cerca de 35 milhões de toneladas de ferro por ano. Ao longo da ferrovia foram instaladas diversas siderúrgicas primárias de ferro-gusa e ferro-ligas – assim, embrionariamente, aparecem pequenos polos industriais nas áreas de Marabá (PA) e na Baixada Maranhense.

Outra face do projeto é o Projeto dos Polos de Alumínio, cujas fontes de bauxita localizam-se fora da área do PGC, na Serra de Oriximiná (noroeste do Pará).

Enclaves do Jari e Serra do Navio

O Projeto Jari, implementado pelo milionário norte-americano Daniel Ludwig na década de 1960, tinha o objetivo de integrar atividades florestais, agrícolas, minerais e industriais. No início da década de 1980, por dificuldades financeiras, foi vendido para um consórcio nacional. Aí, há atividades de silvicultura, produção industrial de celulose, extração de caulim (para o branqueamento de celulose) e produção de arroz.

A Serra do Navio, no Amapá, tinha grandes jazidas de manganês que começaram a ser exploradas em 1956. Para viabilizar a exportação do mineral, foi construída a E. F. Amapá e o porto de Santana nos arredores de Macapá. É o núcleo dinâmico da economia no estado. A exaustão das minas e os altos custos de extração fizeram o consórcio transnacional abandonar o projeto. Atualmente, o mesmo direciona os investimentos para a exploração de cromo da Mina do Vila Nova, em Mazagão, próximo ao porto.

Enquanto enclaves, geraram as chamadas Company Towns, planejados, que contrastam com suas periferias favelizadas e precárias.

Amazônia Ocidental

A integração dessa região com o Brasil Central se dá pela rodovia que passa por Rondônia e chega ao Acre. A Hidrovia do Madeira e a pavimentação da BR-319 ligarão a região a Manaus.

Zona Franca de Manais (ZFM)

Quando criada, Manaus tornou-se um porto livre para importações e exportações. Assim, a isenção de taxas de importação para máquinas, matérias-primas e componentes, a mão de obra barata e a isenção de impostos para a exportação, atraiu empresas transnacionais e nacionais para a fabricação de duráveis.

Em 1998 a ZFM ampliou sua esfera de influência com a pavimentação da BR-174 que conecta Manaus a Boa Vista e à malha rodoviária venezuelana, o que abre mercados para aquele país e o Caribe. Ao mesmo tempo, a estrada criou um novo corredor de ocupação, que com a construção da hidrelétrica de Balbina, desfiguraram a reserva indígena de Waimiri-Atroari.

Plano Amazônia Sustentável (PAS)

Proposto no governo Lula em 2004 e baseado em conceitos de desenvolvimento sustentável, se baseia em metas genéricas e estudos de pequena escala. O plano propõe a divisão da Amazônia em três macrorregiões (Amazônia Ocidental, Amazônia Central e Arco de Povoamento Adensado) e estabelece diretrizes de planejamento para cada uma delas.

Na Amazônia Ocidental, mais preservada, a prioridade seria o manejo de produtos florestais, pesqueiros, ampliação da rede de transportes, comunicação e ecoturismo.

Na Amazônia Central, mais vulnerável, os planos referem-se a regularização das Unidades de Conservação e das terras indígenas, além do estímulo à exportação de produtos de agricultura familiar.

No Arco de Povoamento Adensado, o arco da devastação, a prioridade é conter o avanço da soja pela floresta, melhoria de serviços públicos e modernização do setor madeireiro.

Comments
2 Responses to “Amazônia”
  1. Thais disse:

    Obrigada ,vc me ajudou muiiiiitooooooo😀

  2. alan felipe disse:

    Estou satisfeito por esses assuntos !

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