BRIC

A idéia dos BRICs foi formulada pelo economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O´Neil, em estudo de 2001, intitulado “Building Better Global Economic BRICs”. Fixou-se como categoria da análise nos meios econômico-financeiros, empresariais, acadêmicos e de comunicação. Em 2006, o conceito deu origem a um agrupamento, propriamente dito, incorporado à política externa de Brasil, Rússia, Índia e China.

O peso econômico dos BRICs é certamente considerável. Entre 2003 e 2007, o crescimento dos quatro países representou 65% da expansão do PIB mundial. Em paridade de poder de compra, o PIB dos BRICs já supera hoje o dos EUA ou o da União Européia. Para dar uma idéia do ritmo de crescimento desses países, em 2003 os BRICs respondiam por 9% do PIB mundial. Já em 2009, as economias dos quatro países somavam 14,3% da economia mundial, com um PIB conjunto de US$ 8,9 trilhões. Considerando o PIB pela paridade de poder de compra, esse índice é ainda maior: US$ 16,3 trilhões, ou 23%.

Até 2006, os BRICs não estavam reunidos em mecanismo que permitisse a articulação entre eles. O conceito expressava a existência de quatro países que individualmente tinham características que lhes permitiam ser considerados em conjunto, mas não como um mecanismo. Isso mudou a partir da Reunião de Chanceleres dos quatro países organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este constituiu o primeiro passo para que Brasil, Rússia, Índia e China começassem a trabalhar coletivamente. Pode-se dizer que, então, em paralelo ao conceito “BRICs” passou a existir um grupo que passava a atuar no cenário internacional, o BRIC.

Como agrupamento, o BRIC tem um caráter informal. Não tem um documento constitutivo, não funciona com um secretariado fixo nem tem fundos destinados a financiar qualquer de suas atividades. Em última análise, o que sustenta o mecanismo como tal é a vontade política de seus membros. Ainda assim, o BRIC tem um grau de institucionalização que se vai definindo, à medida que os quatro países intensificam sua interação.

Etapa importante para aprofundar a institucionalização do BRIC foi a elevação do nível de interação política que, desde junho 2009, com a Cúpula de Ecaterimburgo, alcançou o nível de Chefes de Estado/Governo. A II Cúpula, realizada em Brasília, em 15 de abril de 2010, levou adiante esse processo. A III Cúpula, que deverá ter lugar na China, em 2011, demonstra que a vontade política de dar seguimento à interlocução dos quatro países continua presente até o nível decisório mais alto.

Além da institucionalização vertical, o BRIC também se abriu para uma institucionalização horizontal, ao incluir em seu escopo diversas frentes de atuação. A mais desenvolvida, fazendo jus à origem do grupo, é a econômico-financeira. Ministros encarregados da área de Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais dos quatro países se têm reunido com freqüência. Os Altos Funcionários Responsáveis por Temas de Segurança dos quatro países já se reuniram duas vezes. Os temas segurança alimentar, agricultura e energia também já foram tratados no âmbito do BRIC, em nível ministerial. As Cortes Supremas assinaram documento de cooperação e, com base nele, foi realizado, no Brasil, curso para magistrados dos BRICs. À margem da II Cúpula realizaram-se eventos buscando a aproximação entre acadêmicos, empresários, representantes de cooperativas. Foi ainda assinado acordo entre bancos de desenvolvimento.

Desse exercício no agrupamento, abrem-se espaços para (a) diálogo, identificação de convergências e concertação política em relação a diversos temas da agenda política e econômica internacional; e (b) ampliação de contatos e cooperação em setores específicos.

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