ONU – Posições do Brasil

NAÇÕES UNIDAS

REFORMA DA ONU – GERAL

Criada em 1945, para evitar a repetição da experiência traumática de duas
guerras mundiais, a ONU continua sendo a organização internacional por
excelência. Reunindo a maioria absoluta dos países em torno do objetivo
comum de promover a paz, a Organização contribuiu de maneira significativa,
durante sessenta anos, para uma ordem internacional fundamentada no
direito. Profundas mudanças, contudo, alteraram o cenário internacional ao
longo das últimas seis décadas. A ONU foi criada por 51 Estados (entre os
quais o Brasil), que representavam a quase totalidade dos países independentes
na época. (…) Hoje, a ONU possui 191 membros, a grande maioria países
em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a agenda internacional evoluiu e
ampliou-se. (…) Não é pequeno o desafio que têm pela frente os integrantes
das Nações Unidas. Existe uma crescente consciência de que a ONU corre
o risco de ver sua influência erodida na ausência de uma reforma. Ao
permanecer como está, a Organização está sujeita a perder dinamismo ou,
pior, a se tornar irrelevante. A escolha que a comunidade internacional tem
diante de si, portanto, não é simplesmente uma escolha entre fazer ou não a
reforma. Trata-se de decidir se é do interesse da maioria dos Estados que
uma organização como as Nações Unidas siga funcionando como garantia
de uma ordem internacional estável e capaz de promover o desenvolvimento
de todos os seus membros, em condições de liberdade.

“A ONU aos 60”. Artigo do Ministro Celso Amorim.
Política Externa, vol. 14, n. 2, 2005

Apoiamos a reforma ampla da Organização proposta pelo Secretário-
Geral Kofi Annan. Participamos das negociações para a criação da
Comissão de Construção da Paz e do Conselho de Direitos Humanos,
bem como nas discussões em andamento para a ampliação do
Conselho de Segurança (CSNU), o fortalecimento do Conselho
Econômico e Social (ECOSOC), a revitalização da Assembléia Geral
(AGNU), e a reforma administrativa e do Secretariado. (…) O Brasil
está brigando para que a gente faça uma reforma profunda na ONU.

A ONU já completou 60 anos, o mundo e os conflitos para os quais
ela foi criada não existem mais ou pelo menos na proporção que
justificou a criação da ONU. E a ONU precisa levar em conta a
nova geopolítica. Acabou a bipolaridade, acabou a Guerra Fria, a
democracia está se consolidando em muitos países. Então, o que nós
queremos? Que a ONU seja mais representativa, que ela possa
representar mais condignamente o que é o mundo político de hoje e
não apenas o Conselho de Segurança. O Conselho de Segurança é
um rito, mas o ECOSOC também, que discute a questão econômica,
precisa mudar. Nós precisamos dotar a ONU de instrumentos que
lhe dêem credibilidade para tomar as decisões.

Entrevista concedida pelo Presidente Lula à revista The
Economist. Londres, 24 de fevereiro de 2006

 

ASSEMBLÉIA GERAL

O Brasil favorece uma maior interação entre o CSNU, a AGNU e
o ECOSOC, como parte do processo de fortalecimento e
democratização das Nações Unidas. A Delegação deverá intervir
no debate, levando em conta tanto a perspectiva de participação
do Brasil como membro eleito em 2004-2005 quanto a postulação
brasileira a ocupar um assento permanente, no contexto da reforma
do CSNU.

Livro de instruções à Delegação do Brasil à LVIII
AGNU. Brasília, 2003

* * *

A Assembléia Geral (…) precisa ser politicamente fortalecida para, sem
dissipação de esforços, dedicar-se aos temas prioritários. A Assembléia Geral
tem cumprido papel relevante ao convocar as grandes Conferências e outras
reuniões sobre direitos humanos, meio ambiente, população, direitos da
mulher, discriminação racial, AIDS, desenvolvimento social. Mas ela não
deve hesitar em assumir suas responsabilidades na administração da paz e
segurança internacionais. A ONU já deu mostras de que há alternativas jurídicas
e políticas para a paralisia do veto e as ações sem endosso multilateral. A paz,
a segurança, o desenvolvimento e a justiça social são indissociáveis.

Discurso do Presidente Lula na LVIII Assembléia Geral
das Nações Unidas. Nova York, 23 de setembro de 2003

 

CONSELHO DE SEGURANÇA

Não participamos de alianças militares cujo escopo de ação possa conflitar
com a autoridade legítima e exclusiva de que desfruta, nessa matéria, o
Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Discurso do Ministro Celso Amorim no debate geral da
Conferência Especial de Segurança, no âmbito da OEA.
Cidade do México, 28 de outubro de 2003

* * *

O Brasil já indicou sua disposição de assumir desde logo as suas
responsabilidades como membro permanente, ao lado de outros países
igualmente capazes de agir em nível global e contribuir para a paz e a
segurança internacional.

“Política Externa do Governo Lula: os dois primeiros
anos”, artigo do Ministro Celso Amorim. Análise de
Conjuntura OPSA (IUPERJ), no 4, março de 2005

 

* * *

Um dos problemas centrais no funcionamento do Conselho é o veto, que,
para muitos, é privilégio inaceitável. Não acredito que seja possível eliminá-
lo no curto prazo. Seria irrealista pensar que os membros permanentes
atuais venham a abrir mão desse poder. Durante a Guerra Fria, o direito
de veto podia ser compreendido como meio de evitar decisões que, por
afetarem interesses nacionais de uma das grandes potências, fossem capazes
de levar a novo conflito mundial. Mas o veto tem sido muitas vezes usado
de maneira quase fútil, em resoluções de caráter puramente declaratório.

O Brasil defende que cada veto esteja sujeito a explicação. O país que veta
uma iniciativa deve assumir plena responsabilidade moral pela ação. Outra
idéia seria interpretar a Carta da ONU para permitir que membros
permanentes do Conselho dêem voto negativo, sem que isso implique
necessariamente vetar um projeto de resolução.

“Missão do sucessor de Kofi Annan é completar reforma
das Nações Unidas”, artigo do Ministro Celso Amorim no
jornal Folha de S.Paulo. São Paulo, 17 de dezembro de 2006

* * *

Naturalmente, é difícil conciliar o ideal democrático em sua forma mais
pura, que inspirava o pensamento de Rui Barbosa, e a necessidade de um
órgão com capacidade de decisão rápida e eficaz em temas que exigem
soluções muitas vezes em caráter de urgência, como são os da paz e
segurança internacionais. Não creio, honestamente, que haja respostas
absolutas ou irrefutáveis para essa contradição intrínseca. O que podemos
almejar no atual estágio de evolução da relação entre os Estados é um
sistema que busque equilibrar da melhor forma critérios de
representatividade e de eficácia. A mudança que buscamos para o Conselho
de Segurança tem, a nosso ver, esta característica. Tampouco devemos ter
a pretensão de legislar para a eternidade. É necessário que a reforma por
que venha a passar o Conselho de Segurança esteja sujeita a uma revisão
sem pré-julgamentos, dentro de um período razoável. Obviamente, novos
membros permanentes não devem dispor do direito de veto, mecanismo
por cuja eliminação gradual ou atenuação continuaremos a militar, dentro
dos limites do realismo.

“A diplomacia multilateral do Brasil: um tributo a Rui
Barbosa”. Palestra do Ministro Celso Amorim por
ocasião da II Conferência Nacional de Política Externa
e Política Internacional. Rio de Janeiro, 5 de novembro
de 2007

 

 

G-4

Brasil, Alemanha, Índia e Japão, baseados no firme reconhecimento mútuo
de que são candidatos legítimos a membros permanentes em um Conselho
de Segurança ampliado, apóiam suas candidaturas de forma recíproca. A
África deverá estar representada entre os membros permanentes do
Conselho de Segurança. Trabalharemos coletivamente para, junto com
outros Estados-membros, realizar uma reforma significativa da Nações
Unidas, incluindo a do Conselho de Segurança.

Comunicado Conjunto de Imprensa do G-4. Nova York,
21 de setembro de 2004

* * *

O Grupo dos 4 saúda o relatório como mais um sinal da forte liderança
do Secretário-Geral [da ONU] na promoção de um sistema multilateral
que habilitará a comunidade internacional a enfrentar, de modo eficaz, os
desafios do século XXI. O Grupo dos 4 apóia plenamente o apelo por
uma abordagem abrangente para a reforma. As ameaças de hoje estão
inter-relacionadas. Um desafio individual é um desafio coletivo. Brasil,
Alemanha, Índia e Japão compartilham a opinião do Secretário-Geral de
que as Nações Unidas são o foro apropriado para confrontar, de forma
coletiva, as ameaças que enfrentamos atualmente. Ao mesmo tempo, é
verdade que suas instituições precisam ser adaptadas para refletir as
realidades políticas atuais.

Comunicado do G-4 sobre o Relatório “Uma Liberdade
mais Ampla – Rumo à Segurança, Desenvolvimento e
Direitos Humanos para Todos”, do Secretário-Geral das
Nações Unidas. Nova York, 21 de março de 2005

* * *

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, o Vice-
Primeiro-Ministro e Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka
Fischer, o Ministro das Relações Exteriores da Índia, Natwar-Singh, e o
Ministro das Relações Exteriores do Japão, Machimura Nobutaka,
reuniram-se hoje, na Embaixada do Brasil em Londres, com o Ministro
das Relações Exteriores de Gana, Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, na
condição de membro do grupo de contato do mecanismo de seguimento
sobre a reforma da ONU estabelecido pela União Africana, com o objetivo
de examinar os desdobramentos da Cúpula da UA em Sirte e de discutir
perspectivas de ação conjunta no futuro imediato com relação à expansão
e reforma do Conselho de Segurança da ONU. (…) À luz das decisões da
recente Cúpula da União Africana, em Sirte, e da Cúpula da Caricom, em
Santa Lúcia, os Ministros reiteraram sua disposição de continuar a dialogar
com a União Africana, com a Caricom e com os co-patrocinadores do
projeto de resolução, bem como com os demais membros da ONU. Os
cinco Ministros das Relações Exteriores mantêm-se comprometidos com
a reforma da ONU, especialmente com a reforma do Conselho deSegurança, inclusive a ampliação do número de membros não-permanentes
e permanentes, e trabalharão juntos para alcançar um resultado exitoso.

Declaração de Londres do G-4. Londres, 8 de julho de
2005

 

 

OPERAÇÕES DE PAZ / MISSÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
PARA A ESTABILIZAÇÃO DO HAITI (MINUSTAH)

Nossa participação na Missão da ONU no Haiti, ademais, parte do princípio
de que a paz não é um bem internacional livre: a manutenção da paz tem
um preço. Esse preço é o da participação. Ausentar-se ou eximir-se de
opinar ou agir diante de uma situação de crise pode significar a exclusão
do processo de tomada de decisões, ou, pior, a dependência em relação a
outros países ou regiões.

“Conceitos e estratégias da diplomacia do Governo
Lula”, artigo do Ministro Celso Amorim. Revista
Diplomacia, Estratégia e Política, ano 1, no 1, outubro-
dezembro de 2004

* * *

O sucesso da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti se
baseia em três pilares interdependentes e igualmente importantes: a
manutenção da ordem e da segurança; o incentivo ao diálogo político
com vistas à reconciliação nacional; e a promoção do desenvolvimento
econômico e social.

Discurso do Ministro Celso Amorim na Reunião
Especial do Conselho de Segurança das Nações Unidas
sobre o Haiti. Nova York, 12 de janeiro de 2005

* * *

O envolvimento do Brasil, bem como de outros países latino-americanos,
no Haiti não tem precedentes tanto em termos de presença de efetivos
militares quanto de articulação política. Animam-nos três objetivos
principais: 1) a criação de um ambiente de segurança; 2) a promoção do
diálogo entre as forças políticas, com vistas a uma verdadeira transição
democrática; e 3) o efetivo apoio internacional para a reconstrução social
e econômica do Haiti.

Discurso do Ministro Celso Amorim na abertura do
debate geral da LX Assembléia-Geral das Nações
Unidas. Nova York, 17 de setembro de 2005

* * *

O Governo brasileiro, ao aceitar o convite das Nações Unidas para designar
o Comandante da Força Militar e ceder tropa, atendeu aos preceitos
constitucionais enunciados no artigo 4 da Constituição Federal – entre os
quais a prevalência dos direitos humanos, a defesa da paz e a cooperação
entre os povos para o progresso da humanidade. Ademais, o Brasil cumpriu
sua obrigação como membro fundador das Nações Unidas, cuja Carta
traz como propósitos fundamentais a ação coletiva para prevenir ameaças
à paz e a promoção dos direitos humanos. Somou-se a esses pilares da
política externa brasileira a necessidade de demonstrar solidariedade com
uma nação das Américas que passava por terrível provação e que, sem
ajuda internacional, experimentaria agravamento de seus conflitos, com
maior perda de vidas inocentes. A finalidade mesma da Missão é a retomada,
pelo povo haitiano, da plena soberania sobre seu país, pela realização de
eleições democráticas, em conformidade com a Constituição do Haiti.

Nota à imprensa. “Participação do Brasil na Missão das
Nações Unidas no Haiti.” Brasília, 16 de janeiro de 2006

* * *

É firme nosso compromisso com o Haiti. O êxito do processo de
pacificação daquele país não depende somente das tropas da ONU, que o
Brasil comanda. A chegada dos recursos prometidos pela comunidade
internacional é fundamental para a tarefa de reconstrução.

Discurso do Presidente Lula por ocasião do Banquete
de Estado oferecido pela Rainha Elizabeth II. Londres,
7 de março de 2006

* * *

Ao responder ao chamado da ONU, o Brasil entendeu que a situação do
Haiti não se resumia a um problema de restauração da segurança pública.

Na origem da crise de segurança existia, a nosso ver, um problema mais
sério de pobreza, injustiça social e debilitação das estruturas do Estado.

Discurso do Ministro Celso Amorim na sessão de
abertura da Reunião Internacional de Alto Nível sobre
o Haiti. Brasília, 23 de maio de 2006

* * *

A comunidade internacional já aprendeu muito com operações de paz.
Aprendemos, por exemplo, que a força, isoladamente, não é suficiente
para manter a paz e a segurança de forma duradoura. É evidente que,
num primeiro momento, a força militar representa a dimensão mais
importante, e, certas vezes, decisiva, de uma missão de paz. Mas esse esforço
só será bem-sucedido se a ação da comunidade internacional envolver as
causas mais profundas das crises, geralmente ligadas à pobreza, às
desigualdades, bem com à fragilidade institucional. Devemos, portanto,
promover a construção de instituições sólidas, que permitam o pleno
exercício da democracia e o respeito aos direitos humanos. É preciso
também criar condições efetivas de recuperação social e econômica.

Desenvolver projetos que gerem emprego e renda. Trabalhar com o setor
privado, com organizações não-governamentais, para a retomada da
atividade econômica e da vida social em geral. Construir hospitais, escolas,
ruas, estradas.

Discurso do Ministro Celso Amorim por ocasião do
Seminário de Alto Nível sobre Operações de
Manutenção da Paz. Brasília, 5 de fevereiro de 2007

 

CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL (ECOSOC)

O Conselho Econômico e Social deve voltar a ser um órgão vivo e influente.
Deve servir para que encontremos convergências para questões relacionadas
a comércio, finanças e desenvolvimento, em um ambiente livre de
preconceitos e dogmatismos. O ECOSOC deve ser a instância deliberativa
privilegiada na busca da conciliação entre os objetivos do crescimento
econômico e da redução das iniqüidades de uma globalização assimétrica.

O Presidente Lula sugeriu neste ano, na Cúpula do G-8 em Gleneagles,
que poderíamos começar a elevar a estatura do ECOSOC, organizando
um segmento de alto nível com a participação, por exemplo, do Ministro
da Economia da presidência rotativa do G-8. O ECOSOC deve também
prestar sua contribuição na promoção da estabilidade e da paz, em parceria
com o Conselho de Segurança, como estabelece o artigo 65 da Carta.

Discurso do Ministro Celso Amorim na abertura do
debate geral da LX Assembléia-Geral das Nações
Unidas. Nova York, 17 de setembro de 2005

* * *

Muito ainda pode ser feito para revitalizar o ECOSOC, dentro do contexto
de uma reforma global das Nações Unidas. O Brasil não concorda com
propostas para reduzir o tamanho do ECOSOC, dotar a Mesa do
ECOSOC de poderes executivos ou transformar o órgão num “Conselho
de Segurança Econômico”. Os problemas do ECOSOC não derivam de
tamanho excessivo, mas de competências reduzidas. O escopo do campo
de atuação do ECOSOC de acordo com a Carta é amplo, mas o Conselho
não possui os recursos e poderes necessários. (…) A revitalização do ECOSOC,
em coordenação estreita com a UNCTAD, o Departamento de Assuntos
Econômicos e Sociais (DESA) e as comissões econômicas regionais, deve
passar por um melhor aproveitamento das vantagens inerentes das Nações
Unidas em comparação com as instituições de Bretton Woods, a OMC, a
OCDE, o G-8 e os Foros de Porto Alegre e Davos. (…) O ECOSOC
poderia, além disso, proceder ao exame voluntário da situação econômica e
social de países que o solicitem (de maneira semelhante ao que ocorre no
“Trade Policy Review Mechanism” sobre comércio na OMC). O ECOSOC,
como instância multilateral, poderia também ocupar, em boa medida, o
espaço hoje reservado aos “Grupos de Doadores”, que não representam a
comunidade internacional. Essas “Câmaras de Parceria” (“Partnership
Chambers”) examinariam o progresso de cada país em direção às Metas de
Desenvolvimento do Milênio e desenhariam, em parceria com o país,
estratégias de mobilização de recursos para alcançá-las.

“A ONU aos 60”, artigo do Ministro Celso Amorim.
Política Externa, vol. 14, no 2, 2005

* * *

É bom que o Conselho de Direitos Humanos tenha sido criado, porque é
menos um órgão para o ECOSOC ficar supervisionando. Então esses
órgãos todos talvez devessem se reportar diretamente à Assembléia Geral
e deixar que o ECOSOC tratasse do que ele tem que tratar: de como deve
ser o desenvolvimento econômico e social no mundo e inspirar os órgãos
que realmente influem nisso, que são o Banco Mundial, o FMI e a OMC.

Não é negociar, mas inspirar.

Palavras do Ministro Celso Amorim na abertura do
seminário “As Nações Unidas: Paz, Direitos Humanos
e Desenvolvimento em um Novo Cenário
Internacional”, por ocasião do LXI aniversário da ONU.
Brasília, 24 de outubro de 2006

 


COMISSÃO DE CONSTRUÇÃO DA PAZ

 

A sugestão do Secretário-Geral de criação de uma Comissão de Construção
da Paz visa apoiar o processo de transição de conflito para uma paz
duradoura em cenários de fragilidade socioeconômica e institucional.
Preocupado com a inexistência de uma instância para auxiliar países recém-
saídos de conflito, Annan sugere maior atenção a setores, como a
recuperação institucional e o financiamento da reconstrução. O Brasil apóia
o estabelecimento da Comissão.

“A ONU aos 60”, artigo do Ministro Celso Amorim.
Política Externa, vol. 14, no 2, 2005

* * *

A Comissão de Construção da Paz tem como objetivo principal auxiliar
os países recém-saídos de conflitos armados a alcançarem estabilidade
política e econômica duradouras. Representa importante avanço no processo
de reforma da ONU, ao contribuir para o fortalecimento do sistema das
Nações Unidas na área econômica e social. A criação de órgão como a
Comissão de Construção da Paz havia sido objeto de propostas do Brasil
desde meados da década de noventa e representa a concretização de
aspiração de longa data dos países em desenvolvimento. Como integrante
da Comissão de Construção da Paz, o Brasil estará empenhado em
contribuir para que países vitimados por conflito, como o Haiti, tenham
uma trajetória sustentável rumo à paz, com estabilidade político-institucional
e desenvolvimento econômico-social. Assim como o recém-criado
Conselho de Direitos Humanos, para o qual o Brasil acaba de ser eleito
com votação recorde, a criação da Comissão de Construção da Paz constitui
mais um passo significativo no processo de reforma das Nações Unidas.

Nota à imprensa. “Eleição do Brasil à Comissão de
Construção da Paz das Nações Unidas”. Brasília, 16 de
maio de 2006

 


REFUGIADOS

O ACNUR [Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados]
tem manifestado reconhecimento pelos esforços do Brasil no domínio
da proteção internacional de refugiados. Atualmente, o Brasil abriga
3.200 refugiados, procedentes de 54 países. (…) A política brasileira de
proteção e reassentamento de refugiados, cuja implementação compete
ao Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), tem-se expandido
nos últimos anos. Os esforços do Governo brasileiro, em coordenação
com o ACNUR, estão concentrados na busca de soluções duráveis
para a questão dos refugiados, sobretudo com base no fortalecimento
institucional do regime de parceria e compartilhamento de
responsabilidades entre o Governo Federal e entidades civisaspecto
imprescindível na consolidação de políticas públicas de alcance
humanitário.

Nota à imprensa. “Visita ao Brasil do Alto Comissário
das Nações Unidas para Refugiados”. Brasília, 4 de
novembro de 2005

* * *

O Comitê Nacional para os Refugiados decidiu, em maio de 2007,
reassentar no Brasil grupo de refugiados palestinos oriundos do campo
de refugiados de Ruweished, na Jordânia, cerca de 70 km da fronteira
com o Iraque, onde estavam estabelecidos desde 2003. O primeiro
contingente de 35 refugiados palestinos chegou hoje, 21 de setembro, ao
Brasil, dando início à primeira etapa da operação de reassentamento. No
mês de outubro próximo, outros dois contingentes deverão chegar ao
País, totalizando aproximadamente 117 pessoas. Signatário da Convenção
de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados, o Brasil já possui tradição
consolidada na área, tendo atuação destacada na América Latina,
consubstanciada no Programa de Reassentamento Solidário. (…) Trata-se
de importante decisão do Governo brasileiro, fundamentada em razões
humanitárias, que reflete o comprometimento do Brasil com o Direito
Internacional dos Refugiados e traduz nesse gesto humanitário a
solidariedade do País com relação ao povo palestino.

Nota à imprensa. “Chegada ao Brasil de grupo de
refugiados palestinos”. Brasília, 21 de setembro de 2007

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

Desde a adoção do Estatuto de Roma, 105 Estados se tornaram Partes
dessa louvável iniciativa da comunidade internacional. (…) Nos últimos
cinco anos, o TPI consolidou-se firmemente na Haia, deu início a
investigações em vários países, emitiu mandados de prisão e constituiu sua
primeira Câmara de Primeira Instância, um passo da maior importância
para seu desenvolvimento institucional e um marco na história das relações
internacionais. O Governo brasileiro, como um dos primeiros a apoiar o
TPI, aproveita esta oportunidade para reafirmar seu comprometimento
com os ideais do Estatuto. Continuaremos a advogar em favor do TPI
em todos os fóruns. (…) O princípio da complementaridade faz da
interdependência entre o Tribunal e os Estados uma necessidade. Gostaria
de reiterar a importância de que todos os Estados, sejam eles Partes ou
não do Estatuto de Roma, cooperem integralmente com o Tribunal. (…)O
Brasil é a favor da adoção, em futuro próximo, de uma definição para o
crime de agressão, a fim de que o Tribunal possa ter jurisdição sobre ele.

Estamos prontos a apoiar uma definição que preserve adequadamente a
independência do Tribunal como um órgão judicial, e transmita, como
indicações úteis, os elementos estabelecidos na Resolução 3.314 da
Asssembléia Geral. É chegado o momento de avançar nessa questão e
preparar o caminho para uma Conferência de Revisão do Estatuto de
Roma. Em nosso entender, a definição do Crime de Agressão deve ter
prioridade na agenda.

Discurso da Representante Permanente do Brasil junto
à ONU, Embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, na
VI Assembléia dos Estados Partes do Estatuto de Roma
do TPI. Nova York, 3 de dezembro de 2007

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