Contabilidade Nacional e Agregados Macroeconômicos (Bullets)

Contabilidade Nacional é um instrumental que permite mensurar a totalidade das atividades econômicas.

Produção é a atividade social que visa adaptar a natureza para a criação de bens e serviços que permitam a satisfação das necessidades humanas. No ato de produção, existe a combinação de uma série de elementos chamados fatores de produção que são os recursos utilizados na produção de bens e serviços.

Produto é a soma daquilo que foi produzido num país durante determinado período de tempo. É, portanto, um fluxo.

O crescimento econômico de um país em determinado período é definido como o aumento do produto naquele período, ou seja, a elevação na produção de bens e serviços que satisfaçam às necessidades humanas.

Existem alguns problemas para se fazer a soma do produto. Primeiramente, como se pode somar a produção de bens completamente diferentes como bananas e porta-retratos?

Como cada produto tem um preço expresso em moeda, surge a possibilidade de se agregarem os diferentes bens produzidos por meio de suas expressões monetárias.

Alguns produtos não atendem diretamente à necessidade dos indivíduos. Um porta-retrato (o produto final) atende, mas a madeira da moldura e o suporte metálico (que são mercadorias intermediárias), não. É importante diferenciar, pois a contagem do Produto pode incorrer no erro da dupla contagem caso sejam adicionados porta-retratos, moldura e suporte, uma vez que o valor dos dois últimos já está incorporado no primeiro. A essa soma, chamamos Valor Bruto da Produção.

Para calcularmos o produto, temos duas alternativas:

  1. Somamos o valor dos produtos finais, como porta-retratos
  2. Considerando cada etapa de valor adicionado, somamos moldura e suporte

O PIBpm (Produto Interno Bruto a preços de mercado) é o valor monetário de venda dos produtos finais produzidos dentro de um país em determinado período de tempo.

A soma do valor dos bens finais ou a soma do valor adicionado em cada etapa do processo produtivo necessariamente será a mesma e essa forma de medir o valor do produto é chamada de “ótica do produto”.

Existem duas outras formas de medir o produto: a “ótica do dispêndio” e a “ótica da renda”.

Ótica do Dispêndio

O conceito de dispêndio refere-se aos possíveis destino do produto, isto é, por quem e para que são adquiridos.Os principais destinos do produto são consumo e investimento.

O primeiro refere-se aos bens e serviços adquiridos pelos indivíduos para a satisfação de suas necessidades e pode ser dividido em:

  • Consumo Pessoal das Famílias (C)
  • Consumo Público do Governo (G)

O Investimento (I) refere-se a aquisição de mercadorias para ampliar a produção futura, corresponde ao aumento do estoque de capital físico (máquinas, edifícios, etc) e à variação de estoques (matérias-primas, produtos acabados, etc).

C+I+G dá o conceito de absorção interna, que não precisa ser igual ao produto por dois motivos:

  1. parcela do produto gerado não é adquirida pelas famílias, empresas ou governo, mas é vendida para o exterior, ou seja, são Exportações (X);
  2. parcela dos bens consumidos e investidos não foi produzida no país, mas foram adquiridos do exterior, ou seja, são Importações (M)

A fórmula geral na “ótica do dispêndio” é, portanto

Y = C+I+G+(X-M)

Ótica da Renda

O conceito de renda refere-se a remuneração dos fatores de produção envolvidos no processo produtivo. Os tipos de remuneração são: salários pagos ao fator trabalho, juros que remuneram o capital de empréstimo, aluguéis pagos aos proprietários soa bens de capital (edifícios, máquinas, etc), lucros que remuneram o capital produtivo (capital de risco) e impostos (renda do governo).

Produto (Valor Agregado) = Demanda Final (Dispêndio = Consumo + Investimento + Exportações – Importações) = Renda (salários + lucros + juros + aluguéis)

Fluxo Circular da Renda

Imaginemos uma economia sem Governo nem relacionamento com o exterior, uma Economia Simples.

Existem dois mercados na economia: o mercado de bens finais e o mercado de fatores de produção.

No mercado de bens e serviços, a compra das famílias corresponde à receita das empresas, e as empresas utilizam essa receita para adquirir os fatores de produção para poderem produzir; por esses fatores de produção, as empresas pagam um preço (uma renda). Ou seja, a venda de fatores de produção permite às famílias adquirir uma renda para poderem demandar (comprar) os produtos gerados pelas empresas.

Y (Produto Nacional) = C (Consumo Agregado) = Remuneração dos Fatores (Renda)

Vamos agora tornar esse esquema mais complexo, pois, conforme vimos, nem toda produção visa atender ao consumo, mas uma parcela é direcionada para o Investimento (I). Nesse caso, suponha-se a existência de dois tipos de empresas, uma produtora de bens de consumo (setor II) e uma produtora de bens de capital (setor I).

Agora, as famílias vendem fatores de produção e obtêm renda de ambas as empresas, porém adquirem apenas bens de consumo, sendo a oferta de bens de capital do setor I adquirida por empresas do setor II. Para que o Investimento ocorra, nem toda renda da economia pode ser consumida, pois, caso contrário, não haveria recursos para realizar os investimentos. Assim, uma parcela da renda das famílias deve ser poupada, entendendo como Poupança (S) a parcela não consumida em dado período.

Essa poupança deve ser transferida para empresas do setor II de modo que estas possam adquirir bens de capital do setor I. Neste ponto, introduz-se um novo agente no sistema econômico, o Sistema Financeiro, cuja função principal é captar recursos dos poupadores para transferi-los aos investidores.

Assim, as famílias têm dois destinos para a sua renda: consumir ou poupar

Y = C+S

Por outro lado, existem dois tipos de gastos (comprar – demanda) na economia: consumo e investimento (Demanda Agregada)

DA = C+I

Como se viu, a renda é igual à demanda, logo, temos outra identidade em termos macroeconômicos:

I = S

A Depreciação corresponde à parcela dos bens de capital que é consumida a cada período produtivo. Assim, nem toda nova produção de bens de capital corresponde a um novo investimento, pois uma parcela da capacidade produtiva deve repor aquilo que foi depreciado. Deve-se então diferenciar o Investimento Bruto (IB) e o Investimento Líquido (IL), sendo que IL = IB-depreciação. Com isso, como o Produto é igual a C+I, quando considera-se o Investimento Bruto, está se medindo o Produto Interno Bruto a preços de mercado; se se considerar apenas o Investimento Líquido, medir-se-á o Produto Interno Líquido a preços de mercado.

PILpm = PIBpm-Depreciação

Para completar as entidades que participam da atividade econômica de um país, vamos adicionar ao fluxo mais dois agentes: o governo e o resto do mundo.

Quando falamos de Governo, entendem-se apenas as funções típicas de governo (administração direta, legislativo, provisão de segurança nacional, etc). Empresas estatais são classificadas na categoria Empresas. Assim, o governo tem por função prover Bens Públicos (bens que não podem ser providos pelo mecanismo de mercado). Os indivíduos não revelam o quanto estão dispostos a pagar para adquirir esses bens, ou seja, as pessoas ficam esperando outros pagarem para consumirem os bens. Logo, esses bens ou serviços devem ser de provisão pública e seu financiamento deve se dar em forma compulsória, por meio de impostos, que são de dois tipos:

  1. Impostos Diretos, que incidem diretamente sobre o agente que os recolhe (impostos de renda e sobre a propriedade – IPTU, ITR)
  2. Impostos Indiretos, que incidem sobre a mercadoria a ser vendida, recolhidos pelas empresas, mas pagos em última instância pelo consumidor, já que são imbutidos no preço das mercadorias (ICMS, IPI)

Esses últimos fazem com que o preço de mercado seja maior que o custo de produção de uma mercadoria, ou seja, nem toda receita com a venda da mercadoria corresponde à renda dos fatores de produção. Alguns bens, entretanto, não pagam impostos indiretos e podem inclusive receber subsídios (pagamento pelo governo de parte dos custos de produção). Ou seja, o preço de mercado é menor que o custo de produção da mercadoria. Nesse caso, o subsídio é como um imposto indireto negativo. Com o governo, chegamos a uma nova medida de produto, o Produto Interno Bruto a custo de fatores.

PIBcf = PIBpm – impostos indiretos (Ti) + subsídios concedidos (Q)

Com a introdução do governo, acrescenta-se um outro destino para renda, que é o pagamento de Impostos (T) e um novo elemento de demanda, os Gastos Públicos (G).

Em relação aos impostos, deve-se notar que o valor dos impostos indiretos está imbutido nos elementos de dispêndio (consumo e investimento), pois compõe o produto final. Mas esse valor recebido pelas empresas na hora da venda da mercadoria não é repassado às famílias (como remuneração de fatores), sendo pago ao governo. A outra categoria de impostos, os diretos, é uma dedução da renda das famílias e empresas, ou seja, uma parcela dos salários, juros, lucros e aluguéis é transferida ao governo. Note-se também que o governo realiza transferências de renda para esses agentes na forma de aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, juros sobre a dívida pública em posse desses agentes, etc. Essas transferências do governo (R) ampliam a renda desses agentes, podendo ser consideradas impostos diretos negativos.

T = (Td – R) + (Ti – Q)

Assim, do lado dos indivíduos, tem-se que a renda familiar (salários, juros, lucros, aluguéis) se destina para o consumo pessoal (C), o pagamento de impostos diretos (Td) e a poupança pessoal (Sp).

Y = C+Td+Sp

Do lado do dispêndio, tem-se agora, além do consumo pessoal (C) e do Investimento (I), que considera tanto os investimento das empresas (Ip) e como o investimento do governo (Ig), o consumo do governo (G). Assim…

DA = C+I+G

Sp + (T-R) = I+G

I – Sp = (T-R) – G

O lado direito da última equação “(T-R) – G” corresponde à chamada Poupança Pública (Sg).

I = Sp + Sg

Déficit Público (Dg) corresponde à diferença entre o total de gastos do governo (consumo e investimento) e a arrecadação, logo…

Dg = Ig – Sg

Rearranjando…

Ip + Ig = Sp + Sg

Ig – Sg = Sp – Ip

Dg = Sp – Ip

Portanto, sempre que houver um déficit público, isto é, Ig > Sg, o governo gastar mais do que recebe, deve haver um excesso de poupança no setor privado para financiar o governo, isto é, Sp > Ip.

Agora vamos introduzir o Resto do Mundo, aqui definido como sendo todos os agentes de outros países que transacionam com os residentes do país. Os tipos de transações que ocorrem com o Resto do Mundo são:

  1. com bens e serviços – Importações (M) e Exportações (X);
  2. com fatores de produção – as empresas sediadas no país podem utilizar trabalho e capital vindos do resto do mundo e como tal devem pagar pela utilização desses fatores, ou seja, enviar renda pra fora. A Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLee) é a diferença entre aquilo que é pago pelos fatores de produção externos utilizados internamente e aquilo que é recebido do exterior por fatores de produção nacionais empregados em outros países

Assim, com o Resto do Mundo, pode-se chegar a uma nova conceituação de produto: o Produto Nacional Bruto a custo de fatores (PNBcf).

PNBcf = PIBcf – RLee

Note-se que Y, sob a ótica da renda, engloba agora a RLee. Dessa forma, tanto as exportações (X) como as importações (M) referem-se às transações de bens e serviços, excluídos os fatores de produção. A diferença entre a RLee e o saldo das exportações e importações de bens e serviços não-fatores (fretes, seguros, viagens internacionais) é a chamada Poupança Externa. Logo,

I = Sp+Sg+Se

em que…

  • Sp = Renda Familiar Líquida (Salário + Juros + Lucros + Aluguéis + Transferências – Impostos Diretos) – Consumo Familiar
  • Sg = Renda Líquida do Setor Público (Impostos Diretos + Impostos Indiretos + Outras Receitas do Governo – Subsídios – Transferências) – Consumo do Governo
  • Se = Renda Líquida Enviada ao Exterior – (Exportações – Importações)

 

Comments
2 Responses to “Contabilidade Nacional e Agregados Macroeconômicos (Bullets)”
  1. Rei Maria disse:

    Mto bom!! Merece fichamento!!

  2. odiliatchissola disse:

    adorei a materia .

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