Heterogeneidade Econômica no Nordeste

Campo240309_AS_32

• Nas últimas décadas, mudanças importantes remodelaram a realidade
econômica nordestina.

• Características do Nordeste atual: a grande diversidade, a
crescente heterogeneidade de suas estruturas econômicas.

_____________________________
Áreas de modernização intensa
• Surgimento de “Frentes de expansão”, ora como “pólos dinâmicos”, ora como “manchas ou focos” de dinamismo
e até como “enclaves”, em sua maioria incentivados por programas do governo.

• destaque para o complexo petroquímico de
Camaçari, o pólo têxtil e de confecções de Fortaleza, o complexo minero-metalúrgico
de Carajás, no que se refere a atividades industriais, além do pólo agroindustrial de
Petrolina/Juazeiro (com base na agricultura irrigada do sub-médio São Francisco),
das áreas de moderna agricultura de grãos (que se estendem dos cerrados baianos,
mais recentemente, ao sul dos estados do Maranhão e Piauí), do moderno pólo de
fruticultura do Rio Grande do Norte (com base na agricultura irrigada do Vale do
Açu), do pólo de pecuária intensiva do agreste de Pernambuco, e dos diversos pólos
turísticos implantados nas principais cidades litorâneas do Nordeste.

• Menos por seu dinamismo e mais pelo fato de desenvolverem modernas
atividades de base tecnológica, merecem referência ainda os tecnopólos de Campina
Grande (PB) e Recife (PE).

• O pólo petroquímico de Camaçari, como mostram Lima e Katz constitui-
se num dos principais pilares da crescente importância da produção de bens
intermediários no Nordeste. Implementado ao longo dos anos 70, importou num
investimento total de cerca de US$ 4,5 bilhões e com o programa de ampliação
previsto chegará a US$ 6 bilhões. Esse complexo industrial foi viabilizado com a
participação de capitais privados nacionais e multinacionais e com o suporte estatal
(Petrobrás), contando com fontes de financiamento diversas.

O pólo têxtil e de confecções de Fortaleza, por sua vez, desponta como
um dos importantes centros do setor, tanto em âmbito regional como nacional.
O parque têxtil e de confecções de Fortaleza é competitivo nacionalmente
e, no caso da fiação, internacionalmente, em virtude de sua atualização
tecnológica.

• O encadeamento do pólo cearense com a base agrícola da região é
reduzido, devido à devastação promovida pelo bicudo na produção de algodão
no Nordeste. Contudo, nos efeitos “para frente” conta-se com a perspectiva
da instalação de pequenas e médias malharias que se beneficiariam das fiações
já existentes, o que já vem sendo estimulado por empresários ligados às fiações.

O complexo minero-metalúrgico do Maranhão está associado aos
desdobramentos do Programa Grande Carajás (PGC) e ao interesse do capital
multinacional em diversificar suas fontes de abastecimento de matérias- primas.
Para a montagem desse pólo, a Companhia Vale do Rio Doce – CVRD
desempenhou um dos papéis principais, implantando a infra-estrutura para
exploração/exportação de minério de ferro.
• Cortando regiões anteriormente isoladas, a Estrada de Ferro Carajás
(EFC) integrou-as ao circuito da produção mercantil e contribuiu para dinamizar
o pólo agrícola do sul do Maranhão, onde a produção de soja se expande.

• Outro projeto em implantação, o projeto CELMAR, que tem a CVRD
como sócia, vai produzir celulose, em Imperatriz.
• O projeto da ALUMAR também tem grande peso, hoje, na indústria
maranhense.  alumínio.

• O complexo agroindustrial de Petrolina/Juazeiro surgiu nos anos 70,
com base na implantação de grandes projetos de irrigação.

• As áreas de moderna agricultura de grãos se estendem dos cerrados
do oeste baiano ao sul do Maranhão e Piauí.
• A expansão da economia do oeste da Bahia está associada à introdução e à
rápida expansão da soja,
• O pólo de fruticultura do Vale Açu.

________________________________
Permanência de velhas estruturas

• Ao mesmo tempo em que diversos subespaços do Nordeste desenvolvem
atividades modernas, em outras áreas a resistência à mudança permanece sendo a marca
principal do ambiente socioeconômico: as zonas cacaueiras, canavieiras e o sertão semi-
árido são as principais e históricas áreas desse tipo. Quando ocorre, a modernização é
restrita, seletiva, o que ajuda a manter um padrão dominantemente tradicional. As zonas
canavieiras expandiram-se muito, impulsionadas nos anos 70 pelo Proálcool, que traz
consigo a alternativa da produção de um energético para o mercado interno (o álcool), mas o crescimento se faz com base na incorporação de terras (a área cultivada
rapidamente duplica), mais do que na elevação dos padrões de produtividade.

No caso do semi-árido (CEARÁ), a crise do algodão (com a presença do bicudo e as
alterações na demanda, no padrão tecnológico e empresarial da indústria têxtil
modernizada na região) contribui para tomar ainda mais difícil e frágil a sobrevivência
do imenso contingente populacional que habita os espaços dominados pelo complexo
pecuária/agricultura de sequeiro. Na ausência do produto, esses
pequenos produtores são obrigados a levar ao mercado o pequeno excedente da
agricultura alimentar tradicional de sequeiro (milho, feijão e mandioca), uma vez
que a pecuária sempre foi atividade privativa dos grandes proprietários locais.

“frentes de emergência” atuam nessas áreas. (como são chamados os
programas assistenciais do Governo)

Nas áreas cacaueiras, a resistência à mudança convive na fase mais recente
com importante queda nos preços internacionais do cacau, aprofundando a crise
nessa sub-região.

domínio político das oligarquias tradicionais . Na Zona da Mata, por
exemplo, o processo de concentração fundiária tem aumentado nos anos recentes. No semi-árido, das
secas também resulta o agravamento da já elevada concentração das terras em
mãos de pouquíssimos produtores.

• Como a estratégia brasileira das últimas décadas foi concentrar a expansão
da agropecuária em áreas novas (especialmente no Centro-Oeste), no Nordeste
também se assistiu a um grande dinamismo agropecuário e agroindustrial no oeste
baiano e no sul do Maranhão e Piauí; portanto, em áreas da antiga “fronteira agrícola”
da região. Nos anos 60 e seguintes, a proposta da reforma agrária foi abandonada
na prática pelos sucessivos governos militares e civis, com base no “sucesso”
da ocupação de novas terras. As oligarquias nordestinas, proprietárias das áreas de
antiga ocupação e sempre bem situadas nas estruturas de poder, continuavam a
beneficiar-se dessa macroopção.

• Segundo o Mapa da Fome feito recentemente pelo IPEA, dois terços
dos indigentes rurais do País estão no Nordeste.

• Nesse contexto, um caso ilustrativo é o de grandes fazendas que reúnem áreas de
posse e áreas de diferentes escrituras, muitas vezes registradas como imóveis
distintos, para evitar seu enquadramento como latifúndio por dimensão” (Graziano
da Silva, 1989).

[ARAÚJO, Tânia Bacelar de. Nordeste, Nordestes: Que Nordeste? In:
AFFONSO, Rui de Britto Álvares e SILVA, Pedro Luiz Barros (org.).
Desigualdades regionais e desenvolvimento. São Paulo: Fundap, Ed. Universidade
Estadual Paulista, 1995. p. 132-138.]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: