História da Argentina – Parte I (Até a Independência)

Em 1514, o explorador Solís explorou a costa do continente americano em busca do estreito que comunicaria os oceanos Atlântico e Pacífico. Depois de navegar pela costa brasileira, penetrou um grande estuário que chamou de Santa Maria. Na prática, Solís havia descoberto oficialmente, para a Espanha, o Rio da Prata.

Em 1527, Sebastián Caboto decidiu penetrar no rio descoberto por Solís, percorrendo o rio Paraná. Fundou em 9 de junho o Forte de Sancti Spiritus, numa das tentativas fracassadas de se estabelecer na região. O forte foi destruído por indígenas. Entretanto, as placas de ouro e prata que os indígenas carregavam deram alento à exploração espanhola, que passou a chamar a região de Puerto de la Plata. Foi a diplomacia portuguesa que difundiu o nome Rio da Prata quando reclamou direitos de prioridade sobre o descobrimento do rio.

Em 1534, Pedro de Mendoza foi designado Governador e Capitão-Geral do Rio da Prata e das 200 léguas da costa do mar do Sul para conquistar e fazer população. A expedição partiu no ano seguinte, mas somente em fevereiro de 1536 se fundou Puerto de Santa Maria del Buen Aire. Ali se construiu uma igreja, uma para para e várias cabanas.

No início, os indígenas proveram os espanhois de peixe e carne, mas logo cessaram as amabilidades. Após batalhas sangrentas, a cidade foi fortificada. Daquele ponto de partida, nos anos seguintes foram fundadas algumas cidades, como Assunção e Santa Fé. Em 1580, Buenos Aires foi refundada por Juan Torres de Vera y Aragón e Hernando Arias de Saavedra.

A partir de 1600, se iniciou a colonização religiosa com o sistema de missões jesuíticas e as terras do Prata foram divididas em duas: a Gobernación del Guayrá (atual Paraguay) e de Buenos Aires (onde se encontra a atual capital e província argentina, a Banda Oriental, Entre Ríos, Corrientes, Santa Fé, Patagonia e Gran Chaco. Buenos Aires ganhava importância frente Assunção, enquanto centro da colônia espanhola, sua capital e maior mercado. Em 1620, se constituiu o Bispado de Buenos Aires.

Os franceses tentaram se estabelecer nas Ilhas Malvinas em 1764, mas cederam à reclamação da Espanha que fundou ali o porto de Soledad. Em 1765, os ingleses tentaram fundar uma cidade no atual território argentino, Puerto Egmont, mas foram desalojados por uma expedição de Buenos Aires. Foi em 1833 que a Inglaterra se apoderou das Ilhas Malvinas, renomeando-as Falklands.

Disputas com Portugal

Para que se evitassem conflitos entre Portugal e Espanha, as duas potências que se haviam lançado aos descobrimentos, o papa Alexandre VI propôs o Tratado de Tordesilhas, que foi firmado em 1494. Entretanto, a demarcação pactada era sobre as terras asiáticas, uma vez que ainda se ignorava que os descobrimentos de Colombo se tratavam de um novo continente.

Quando Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil e reclamou aquelas terras para Portugal, os reis dos dois países acordaram a nomeação de uma comissão de limites – o que jamais foi efetivo, dada a característica vaga do meridiano de Tordesilhas.

Pelo Tratado de Utrecht (1713), que pôs fim à guerra de Sucessão, a Colônia do Sacramento foi entregue a Portugal, animando as pretensões daquele país sobre o rio da Prata. O governador de Buenos Aires enviou uma expedição para expulsar os portugueses da região onde atualmente se encontra Montevideo e ali fundou a atual capital do Uruguai com numerosas famílias bonaerenses. Até 1751, Montevideo dependeu da Governación de Buenos Aires, quando lhe foi dada jurisdição militar e política.

Houveram tréguas e pactos transitórios, mas o pacto de família celebrado entre a Espanha e a França, ao qual não quis aderir Portugal, colocava os dois países rivais em campos opostos. Em consequência da guerra, Pedro de Cevallos se apoderou da Colônia do Sacramento e continuou sua expedição até Rio Grande. A Paz de Paris (1763), que pôs um fim à guerra, às custas da Espanha, engrandeceu o Império Colonial Português, devolvendo a Colônia do Sacramento e deixando à Espanha as márgens do Rio Grande e da costa meridional de Yacuy. Em 1777, sendo Cevallos o Vice-Rei do Prata, tornou a apoderar-se da Colônia. Entretanto, em outubro dessa ano se firmou o Tratado de São Idelfonso, onde se entregou a Espanha a Colônia do Sacramento e as missões orientais do Uruguay, enquanto a Portugal foi entregue Santa Catarina, ambas margens do rio Yacuy e do Rio Grande, além das penetrações dos paulistas em Guayrá e Mato Grosso.

O Vice-Reinado

O século XVII, pode-se dizer, é o século do Absolutismo. Na América espanhola, este encontrou sua expressão no Vice-Rei, representante direto do rei da Espanha. Para que se assegurasse sua independência, a ele era proibido a posse de estâncias e lavouras. Com o estabelecimento do Vice-Reinado, se iniciou o período de organização da colônia do Prata, se estabeleceram as bases da orientação econômica, se organizou a administração e se definiram limites do futuro Estado, pois já eram claras as evidentes resistências do Alto Peru, Chile e Banda Oriental a subordinar-se a Buenos Aires.

Vice-Rei Cevallos

O Vice-Rei Cevallos aplicou uma série de reformas fundamentais. Proibiu o escoamento de metais de Lima, iniciando assim uma política de reação contra as pretensões do Peru. Também regulamentou o trabalho dos cultivadores de trigo, temendo revoltas e desordem, o que ameaçaria o abastecimento da cidade. A medida fundamental, entretanto, é o Auto de 1777 que abriu o porto de Buenos Aires para o comércio livre.

Durante o Vice-Reinado de Vértiz, foram fundados povoamentos entre os rios Paraná e Uruguay, expulsando os indígenas que ali residiam. Também se iniciou uma exploração mais efetiva da Patagônia.

O primeiro jornal da província foi o Telegrafo Mercantil, Rural, Político, Econômico e Historiográfico do Rio da Prata, que foi fundado em 1801, logo abrindo espaço para outros.

A Invasão Inglesa

Em 1776, quando os Estados Unidos se tornaram independentes, se fez indispensável aos ingleses a abertura do comércio da América Espanhola. O precursor da emancipação nas colônias espanholas, o general venezuelano Francisco Miranda trabalhava desde 1790 para conseguir apoio na Europa. Quando em 1803 estouraram as guerras napoleônicas na Europa, a Inglaterra resolveu apoiar seu projeto e enviou, junto com Miranda, a esquadra do almirante Sir Home Pophan, que invadiu Buenos Aires em 1806. Uma luta intensa se iniciou, tendo do outro lado o criollo Juan Martin de Pueyrredón e Santiago Liniers. Em pouco tempo, o exército inglês se rendeu.

A união em torno da expulsão dos ingleses incluiu a formação de milícias genuinamente cidadãs, unindo criollos, espanhois, catalães e galegos, constituindo uma força de 8 mil homens. Os ingleses tentaram uma segunda invasão e ganharam uma importante batalha contra Liniers. Entretanto, ao tentar conquistar Buenos Aires, foram obrigados a capitular completamente.

Guerras Napoleônicas e Independência

Depois das invasões inglesas, tudo se acelera. A cidade, até então uma vaga entidade, começa a agir soberanamente, por exemplo, ao designar o herói da resistência Liniers, um criollo, chefe militar, embora o partido espanhol reconhecesse Martin de Alzaga. A Espanha, entretanto, estava sob invasão francesa. Assim, por todas as colônias, se formaram juntas de governo e exércitos.

Em 1808, a Audiencia de Buenos Aires recebeu a aclamação de Fernando VII, que resistia aos franceses, a quem jurou fidelidade. Entretanto, logo depois, recebeu da Junta Central (que efetivamente governava a Espanha), a famosa ordem de que as colônias eram parte integrante da nação – logo, suas províncias tinham peso igual dentro da monarquia. As cortes foram convovadas na Espanha, com representação americana, na esperança de atar a sorte das colônias à Espanha.

Em 1809, houveram dois movimentos revolucionários importantes em Chuquisaca e La Paz. Cisneros, que subsituiu Liniers, mostrou-se um hábil governante. Dissolveu a Junta de Montevideo, baixou decretos de comércio e estabeleceu a instrução primária obrigatória. Entretanto, a revolução já estava em marcha e os ânimos pendiam para seu lado.

Quando a notícia de que a Espanha havia capitulado para os franceses, Saavedra e Belgrano solicitaram ao alcaide, o criollo Juan José Lezica, a reunião de um cabildo aberto. Alarmado, Cisneros convocou os chefes numa fortaleza, com o objetivo de lhes pedir a confirmação de sua adesão ao Vice-Reinado. Todavia, Saavedra manifestou que o governo que dera autoridade ao Vice-Reinado já não existia. Em 22 de maio de 1810, uma reunião do cabildo aberto votou pela cassação do Vice-Rey.

O Cabildo Argentino de 1810

Saavedra e Belgrano se reuniram na casa de Rodriguez Peña com o ânimo de levantar-se em armas pela deposição doVice-Reinado e da Junta, o que não foi necessário, pois eles renunciaram. Em 25 de maio foi formada a primeira Junta de Governo argentina.

O governador de  Córdoba não se conformarou com declaração e se dispôs a resistir ao exército libertador que deveria sair de Buenos Aires com 1.150. O General Liniers e o Bispo de Córdoba apoiaram o esforço contrarrevolucionário. Quando chegou a notícia de que as tropas de aproximavam, os realistas se retiraram para o norte, no Alto Peru, para se juntar às forças espanholas ali estacionadas. Antes de lá chegarem, entretanto, foram presos e, meses depois, executados por fuzilamento.

 

 

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