República Velha II (Bullets)

Tensões Sociais

Sem acesso às instituições republicanas, a população procurou outros meios de manifestar-se. Revoltas e protestos polulares eclodiram por todo o período, seja no campo, seja nas cidades.

  • Campo: Os movimentos rurais foram a resposta às transformações por que passavam as relações de dominação no campo. Por um lado, emergia o coronelismo típico do período; por outro, a nova organização capitalista e a crescente introdução do capital estrangeiro trouxeram consigo a modernização de diversos setores da vida nacional, colocando em xeque o modo de vida tradicional do sertanejo, sem lhe apresentar novas alternativas. Dois movimentos podem ser destacados:
  1. Canudos: Uma comunidade se organizou em torno de Antonio Conselheiro, líder messiânico que percorria o sertão pregando contra a laicização republicana e defendendo uma sociedade mais justa. Acusados de monarquistas, Conselheiro e seus seguidores resistiram a seguidas expedições militares, tendo sido destruídos na terceira delas. Teve imensa repercussão na opinião pública, uma vez que a população de Rio de Janeiro e São Paulo entrou, pela primeira vez, em contato com uma realidade que lhes era absolutamente desconhecida.
  2. Contestado: Movimento igualmente em torno de um líder messiânico, o monge José Maria, que fundou uma comunidade organizada de acordo com as regras que consideravam justas. O problema da terra apareceu de modo explícito na origem da revolta na região do Contestado em Santa Catarina, pois seus seguidores, em boa parte, se constituíam de posseiros expulsos de suas terras por companhias estrangeiras e outros que haviam vindo para trabalhar na obra de uma ferrovia e, em seguida, haviam sido abandonados à própria sorte. O Exército também teve dificuldade em destruir a comunidade organizada pelos sertanejos, que resistiram por quatro anos.
  • Cidades: A população também sofria efeitos da modernização e das transformações capitalistas e, por vezes, explodia em movimentos espontâneos e desordenados.
  1. Revolta da Vacina: Tomou conta das ruas do Rio de Janeiro em 1904. A capital da República passava por transformações drásticas, pois era conhecida internacionalmente como uma cidade de ruelas enfestadas de doenças como febre tifóide, impaludismo, varíola e febre amarela. Pereira Passos iniciou um processo de remodelagem, demolindo cortiços, abrindo largas avenidas, construindo parques e praças. A revolta se iniciou quando tornou-se obrigatória a vacinação contra a varíola, pois era feita “de modo truculento e com moralidade discutível”. Para a massa da população para quem o Estado não prestava qualquer tipo de assistência, de cuja condução não participava, quando se apresentava era na forma de um agressor a lhe devassar a os lares e a intimidade.
  2. Revolta da Chibata: Marinheiros dos dois maiores navios da esquadra brasileira, o São Paulo e o Minas Gerais, amotinaram-se, expulsando oficiais que estavam a bordo e matando aqueles que tentaram resistir. Homens pobres e mulates, eles exigiam o fim dos castigos físicos e ameaçavam bombardear a cidade. Derrotados, foram anistiados, mas pouco depois, sob o pretexto de nova rebelião, foram presos e muitos deles mortos.
  3. Greves Industriais: A república veio acompanhada do primeiro surto industrial significativo da história brasileira, cujo núcleo básico eram as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e cuja mão de obra era constituida em grande parte de estrangeiros. Estes não gozavam de nenhum direito político ou trabalhista e, para conquistá-los, beneficiaram-se da tradição de luta dos trabalhadores europeus que os imigrantes trouxeram consigo. Em 1908, grupos anarco-sindicalistas fundaram a Conf. Operária Brasileira, sob cuja liderança eclodiu a primeira greve geral do país, na cidade de São Paulo em 1917. Daí, se abre um precedente de:
    • o maior número de greves da história do Brasil
    • realização de grandes manifestações de massa
    • avanço da sindicalização
    • surgimento da imprensa operária
    • modificação das expectativas na vida cotidiana (esperança da alteração revolucionária)
    • fundação em 1922 do Partido Comunista Brasileiro e do Bloco Operário e Camponês que, já em 1928, disputavam as eleições

prosseguiremos com “Economia na República Velha”


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