Lista de retaliação aos EUA inclui produtos de beleza e metanol

Publicada em 08/03/2010 às 10h04m

Eliane Oliveira

BRASÍLIA – O governo divulgou nesta segunda-feira a lista de produtos americanos com aumento de tarifa de importação como retaliação autorizada pela Organização Mundial de Comércio (OMC) em uma antiga disputa envolvendo os subsídios ao algodão. Caso não haja uma contraproposta dos EUA, a relação de bens com alíquotas maiores entrará em vigor em 30 dias.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) afirmou, nesta segunda-feira, que o país ficou ‘decepcionado’ com a decisão do governo brasileiro. Segundo o USTR, o governo continua trabalhando na busca uma solução para a disputa e espera chegar a um acordo com o Brasil nos próximos 30 dias para evitar que seus produtos sejam alvo de retaliação comercial.

Clique aqui e confira a lista completa .

Entre os produtos que constam da lista publicada no Diário Oficial da União, estão metanol (com alíquota de 22%), paracetamol (28%), produtos de beleza (36%), leitores de códigos de barras (22%), fones de ouvido (40%), óculos de sol (40%) e veículos de até mil cilindradas (50%).

O rol também inclui arenque, um tipo de peixe, pêras, cerejas e batatas, além de trigo e automóveis. Foram incluídas ainda gomas de mascar sem açúcar, águas-de-colônia, xampus e pasta de dente.

Miriam Leitão: até chiclete sem açúcar na lista de produtos retaliados.

O valor da retaliação autorizado pela OMC é de US$ 829 milhões, segundo o Itamaraty, o segundo maior montante da história do organismo. A lista de bens importados dos EUA corresponde a US$ 591 milhões. O restante, ou US$ 238 milhões, será aplicado nos setores de propriedade intelectual e serviços.

Saiba mais: Fiesp apoia retaliação em produtos dos EUA no caso do algodão.

Apesar do foco nos produtos de luxo, o maior peso da retaliação poderá recair mesmo na importação do trigo, cuja tarifa passa de 10% para 30% e, em tese, pode gerar um aumento nos derivados que afetará a população de menor poder aquisitivo.

Mas a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spíndola, descarta esse problema porque o Brasil conta hoje com mercados alternativos para a compra de trigo.

– Esse assunto foi estudado com o Ministério da Agricultura e examinada a necessidade de importação do Brasil. Nós temos uma produção interna, que aumentou e temos fornecedores como a Argentina, o Uruguai e o Canadá, além de outros mercados – disse.

A OMC autorizou em novembro o Brasil a impor sanções sobre produtos dos EUA, como punição aos excessivos gastos de Washington para subsidiar cotonicultores e também por causa de um programa de garantias para créditos a exportadores.

Leia também: retaliação comercial do Brasil preocupa empresários dos EUA.

As sanções vão durar até que as autoridades americanas revejam a atual situação. A retaliação em serviços e propriedade intelectual será decidida até o próximo 23, em reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

EUA pode responder, mas Brasil ainda vê espaço para negociar

“O governo brasileiro permanece aberto a um diálogo com os EUA que facilite a busca de solução mutuamente satisfatória para o contencioso”, diz um trecho de uma nota divulgada no fim desta manhã pelo Itamaraty.

Na semana passada, o chefe de assuntos econômicos do Itamaraty, embaixador Carlos Marcio Condezey, já havia declarado que o Brasil pode aceitar uma proposta a ser feita pelos EUA.

Essa declaração abre as portas a uma solução amistosa em uma disputa que atrai a atenção do mundo inteiro por ser uma das poucas em que a OMC autorizou uma retaliação cruzada, ou seja, a parte prejudicada pode retaliar contra um setor não envolvido na disputa.

Também na semana passada, durante visita ao Brasil, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que o governo do Estados Unidos iniciaria negociações para um acordo com o Brasil para evitar a retaliação comercial brasileira por causa dos subsídios dados aos produtores de algodão de seu país.

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