Escalada para a Primeira Guerra do Congresso ao Imperialismo, ao Arrepio do Concerto – 2a Parte

Guerras de Reajuste do Equilíbrio

I. Guerra da Criméia

As ambições do Czar Nicolau I da Rússia sobre o Império Otomano iniciou a primeira grande crise do exercício da hegemonia. Após o sucesso contra a onda revolucionária de 1848, imbuído da percepção de que franceses e ingleses haviam reagido com certa passividade a ela, o imperador decidiu se movimentar na direção dos otomanos. Tinha três motivações:

1. Econômicos: aumentar as exportações de trigo pelo Mediterrâneo;
2. Religiosos: Exercer maior influência na Igreja Ortodoxa;
3. Político: Controlar as minorias vizinhas à Rússia

A partir de 1852, a ameaça estava clara: se não cedesse, o Império Otomano corria o risco de perder toda a parte européia de seus territórios, seja pela via da guerra, que seria divididos entre a Rússia e a Áustria, além da formação de um Estado independente nos Bálcãns.

Essa movimentação tinha natural oposição de Grã-Bretanha a quem interessava a manutenção do estatuto dos estreitos de 1841 e as vantagens comerciais obtidas pelo Tratado de 1838 em recompensa pela garantia da existência do Império Otomano. Com ela, ia a França, que dizia-se protetora de todos os cristãos do Império.

Mar Negro

Mar Negro

Em 1853 o ultimato foi expedido à Constantinopla e, ao contrário de suas previsões, uma coalizão de franceses, ingleses e otomanos se formou. Com a recusa de apoio da Prússia e da Áustria, gratas à Rússia, os aliados bombardearam Sebastopol, base do poderio russo no Mar Negro, conseguindo tomá-la somente em 1855, após uma trágica batalha.

A derrota fez a Rússia concordar com uma Paz em que os aliados limitaram as pretensões dela sobre o Império Otomano e conjugou-as com as suas. Pelo Tratado de Paris de 1856, os estreitos foram abertos à livre navegação e foi garantida a existência do Império Otomano.

O apoio forçado dos austríacos aos aliados, já no fim da guerra, pôs aquele império em perigoso isolamento. A Itália de Cavour teve uma pequena participação com o objetivo de aflorar no cenário político europeu.

Já a Rússia, derrotada, viu comprometido seu papel de defensora do conservantismo e iria empreender reformas sociais, como a abolição da servidão. Para Renouvin, a Guerra da Criméia significou:

1. O restabelecimento da entente e o triunfo franco-britânico
2. O eclipse da Rússia
3. O enfraquecimento da Áustria
4. A ruptura da frente conservadora no seio europeu
5. O despertar da Itália
6. O supercontrole dos europeus sobre o Império Otomano.

Assim, a França reabilitada com Napoleão III fomentou a unificação da Itália contra a Áustria, empreendeu a construção do Canal de Suez e instalou uma dinastia cliente no México, cujo fim seria trágico.

II. Guerras de Unificação

Unificação da Itália

Com o definitivo apoio da França, expresso num tratado secreto de 1859, Cavour fez triunfar a unificação e estabeleceu uma monarquia unificada contra as intenções de Garibaldi (república) e mesmo da França (federação). Sobre isso pesou o apoio inglês que temia uma Itália satélite da política francesa e desejava reduzir a influência desta sobre o novo país.

A unidade foi firmada em 1870 com a derrota do Papa, último baluarte de resistência. Na França, internamente, havia enorme pressão à favor da defesa do Vaticano, que Napoleão não pôde empreender.

Pouco antes da unificação, a Prússia, percebendo o enfraquecimento da Áustria, estabeleceu como objetivo a conquista da hegemonia alemã. A guerra entre as duas potências, liquidou o Império Austríaco e engrandeceu a Prússia, com Bismarck à frente, que fundou a Confederação Germânica do Norte.

Napoleão III exigiu mesquinhas compensações territoriais, que Bismarck negou com desdém. Como objetivo de Bismarck só seria alcançado com a anexação dos Estados alemães do sul, uma guerra era esperada.

A Rússia apoiou a Prússia e a França viu-lhe negada uma aliança com a Áustria. Com a candidatura de Leopoldo Von Hohenzollern ao trono espanhol, a França exigiu que a mesma fosse retirada, no que foi atendida, e, numa jogada de prestígio, exigiu que fosse declarada perpétua. Bismarck recusou e publicou o documento, infligindo uma humilhação tamanha que a guerra era inevitável.

Unificação da Alemanha

Unificação da Alemanha

A Guerra Franco-Prussiana, iniciada em 1870, foi tão rápida que as outras potências não tiveram tempo hábil de reagir. Em 1871, na Sala de Espelhos do Palácio de Versailles, foi fundado o Império Alemão sob os escombros do francês. Logo depois, o Tratado de Francoforte anexava ao novo país unificado a Alsácia-Lorena, sem oposição de outras potências.

Reconfiguração do Concerto

Esses conflitos enfraqueceram a raison de systhème e fortaleceram absolutismos, assim como trouxeram à política européia dois novos atores de peso. Ao mesmo tempo, observou-se um período de industrialização dramática, o que completou a reestruturação do sistema europeu de Estados.

A unificação da Alemanha e Itália, por exemplo, fez desaparecer vários pequenos Estados que serviam de tampão entre as potências, o que lhes subtraiu campo de expansão dentro da própria Europa. Ao mesmo tempo, a área européia do Império Otomano, tornou-se uma área explosiva que acabaria por acender a centelha da 2a Guerra Mundial. Essas características novas, empurraram a expansão européia para fora – o “novo” imperialismo, que aconteceu de forma especialmente violenta na partilha da África, na ocupação territorial de boa parte da Ásia e na abertura da China.

Assim, não havia mais vácuo de poder, à exceção da Áustria, uma vez que todas as potências européias, incluindo agora Estados Unidos e Japão entraram no círculo das potências coloniais.

Na Europa, a Áustria, em sua monarquia dual com a Hungria, via-se ameaçada como potência pela heterogeneidade étnica de seus territórios, o que causava problemas. O Império Alemão se fortaleceu extraordinariamente, ao contrário da França. A Itália sofreu com o atraso econômico e pouco poderio militar, enquanto a Rússia conjugava o poder de seu tamanho e população com atraso industrial.

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