Figuras de Linguagem

do site http://www.infoescola.com

São dividas em…

Figuras de Palavras

Alegoria

De acordo com o dicionário Aurélio: “Simbolismo concreto que abrange o conjunto de toda uma narrativa ou quadro, de maneira que a cada elemento do símbolo corresponda um elemento significado ou simbolizado”, isto é, além de servir como figura de linguagem para textos, bastante comum em fábulas e parábolas, cabe também a obras de arte.

Em muitos casos, lições de moral são utilizadas como forma de alegoria, pois elas representam situações a partir de artifícios que significam alguma coisa por meio de outras coisas. A própria construção etimológica da palavra alegoria, que vem do grego allegoría, identifica sua função que significa, “dizer o outro”.

Apesar de se parecer com a metáfora, diferenças e discussões existem acerca delas. Alguns estudiosos defendem a proximidade de ambas e outros pesquisadores discordam. Na turma dos que encontram ligações está Quintilano, que afirma que alegoria é “metáfora continuada que mostra uma coisa pelas palavras e outra pelo sentido. Mas resumidamente, a metáfora adequa-se a termos isolados, enquanto a alegoria diz respeito ao texto na íntegra.

Além da metáfora, a alegoria também confunde-se com símbolo, porém, suas diferenças encontram-se no que diz respeito ao significado imediato ou não. Enquanto no símbolo a compreensão é direta e imediata, na alegoria necessita-se de um esforço intelecto para que o objeto em questão – obra de arte ou texto – seja entendido.

A Bíblia é um grande exemplo que está repleto de alegorias, como em: “Tu os sustentas com pão de lágrimas, e lhes dás a beber lágrimas com abundância”. Jesus Cristo, inclusive, ensinava seus discípulos a partir delas. Além do livro sagrado, existem ditos populares bastante famosos que exemplificam a figura de linguagem em questão, como: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”; que literalmente identifica a perseverança, persistência das pessoas e outros significados que podem ser atribuídos de acordo com o leitor e/ou ouvinte. Um outro exemplo bastante funcional é a dupla luz/trevas, que respectivamente representa bondade/maldade.

Ironia / Antífrase

Leia os períodos a seguir:

“Parabéns pela sua grande ideia: conseguiu arruinar todo meu trabalho!”

“Veja que bela ação você realizou: derramou café no meu vestido novo!”

Observe que as expressões destacadas transmitem um sentido oposto às orações que se seguem, adquirindo no contexto significado contrário ao sentido habitual. A essa figura de linguagem denominamos antífrase ou ironia. Em sentido amplo, é uma figura de expressão que visa a ridicularização ou à sátira.

Segundo Pires, existem três tipos de ironia:

- asteísmo: quando louva;

- sarcasmo: quando zomba;

- antífrase: quando engrandece idéias funestas, erradas, fora de propósito e quando se faz uso carinhoso de termos ofensivos.

Veja exemplos na literatura:

“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”. (Monteiro Lobato)

“Moça linda bem tratada,

três séculos de família,

burra como uma porta:

um amor!

(Mário de Andrade)

Exemplo em textos falados:

“Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou tudo o que estava gravado?”

“Essa cômoda está tão limpinha que dá para escrever com o dedo.”

“João é tão experto que travou o carro com a chave dentro.”

O contexto é de fundamental importância para a compreensão da ironia, pois, inserindo a situação onde a fala foi produzida e a entonação do falante, determinamos em que sentido as palavras estão empregadas. Veja estes exemplos:

1. “Oi, Victor. Você está em forma, hein?”

2. “Meus parabéns pelo seu belo serviço!”

As duas frases só  podem compreendidas ironicamente se levarmos em conta os seguintes contextos:

Frase 1 – Victor, com seu 1,75m, está pesando atualmente 45 kilos.

Frase 2 – A pessoa elogiada é uma criança que, de posse de um giz de cera azul, rabiscou uma parede recém pintada.

Não seria necessário saber o contexto da frase 1, se a reformularmos da seguinte maneira:

“Oi, Victor! Você está em forma de cenoura, hein?”

Portanto, definimos como ironia a figura de linguagem que afirma o contrário do que se quer dizer.

Antítese

Leia os versos abaixo de Charly Garcia:

“O sonho de um céu e de um mar
E de uma vida perigosa
Trocando o amargo pelo mel
E as cinzas pelas rosas
Te faz bem tanto quanto mal
Faz odiar tanto quanto querer.”

Observe que o eu lírico emprega palavras que se opõem quanto ao seu sentido: “céu” se opõe a “mar”, “amargo” a “mel”, “bem” a “mal”, “odiar” a “querer”, com a finalidade de construir o sentido a partir do confronto entre idéias opostas. O mesmo acontece nesses versos de Vinícius de Morais:

“Tristeza não tem fim,
Felicidade, sim.”

Há quem confunda “antítese” com “paradoxo”. A diferença reside, entretanto, na maneira como esses opostos se relacionam. Na antítese, temos duas teses contrárias, antônimas:

“Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem”.
(Monte Castelo, Renato Russo)

Enquanto o eu lírico está acordado, os outros serem dormem. Seria um exemplo de paradoxo se a mesma construção estivesse da seguinte maneira:

“Estou dormindo acordado”.

Neste caso, temos um exemplo de paradoxo, já que a oposição de idéias se dá num mesmo referente.

Portanto, antítese é a figura de linguagem que consiste em construir um sentido através do confronto de idéias opostas.

Antonomásia

Leia atentamente a sentença abaixo, extraída da Revista Veja:

“O apelido mais célebre ainda é ‘Dama de Ferro’, mas nas últimas semanas ela se tornou também a ‘Altamiranta Tatcher’ (…)”.

No trecho acima, o autor usa a expressão “Dama de Ferro” para designar a primeira-ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher, substituindo seu nome por uma característica da qual se tornou notória.

“O seminário de segunda-feira será sobre o ‘poeta dos escravos’.”

Nesta sentença, a expressão “poeta dos escravos” foi usada para designar o poeta “Castro Alves”, que se tornou conhecido por escrever “O Navio Negreiro”, poema épico-dramático que denuncia a escravização e o modo de transportar os negros para o Brasil, apesar de já vigorar aqui a Lei Eusébio de Queiroz.

Quando designamos uma pessoa pelos seus atributos ou por referências a circunstâncias em que se envolveu, estamos fazendo uso da antonomásia. Essa figura de linguagem é muito utilizada nos textos escritos e falados.

Veja alguns exemplos de antonomásia muito comuns no cotidiano:

“O repórter de Canudos” – Euclides da Cunha.
“O engenheiro da palavra” – João Cabral de Melo Neto.
“O rei do cangaço” – Lampião.
“O rei do pop” – Michael Jackson.
“O rei do futebol” – Pelé.
“O Rei” – Roberto Carlos.

Apóstrofe

A apóstrofe é a figura de linguagem que consiste em interromper a narração para dirigir a palavra a pessoas ausentes ou ao leitor. Sintaticamente, a apóstrofe exerce a função de vocativo dentro de uma sentença. Veja alguns casos:

“Tende piedade de mim, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade”.
(Vinícius de Moraes)

Observe que, nestes versos, o poeta faz uma interpelação emotiva, dirigindo-se ao “Senhor”, que se encontra entre vírgulas, cumprindo a função de vocativo dentro do verso. Trata-se então de um recurso expressivo.

Outros exemplos de apóstrofe:

“Não basta inda de Dor, ó Deus terrível!”

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal.”
(Fernando Pessoa)

No cotidiano, a apóstrofe é bastante utilizada. Ela está presente nas orações religiosas: “Pai nosso, que estás no céu…”; nos discursos políticos: “Povo de Juazeiro! É com grande alegria…”, e em situações diversas: “Minha Nossa Senhora, o que foi isso?!”; “Valha-me Deus, que eu não posso mais com esse menino”.

O escritor Machado de Assis emprega freqüentemente a apóstrofe em seus textos, com a finalidade de aproximar seus escritos da linguagem coloquial falada, permitindo um contato direto entre o escritor e o leitor. Veja um exemplo disso num trecho retirado de Dom Casmurro:

“No seminário… Ah! não vou contar o seminário, nem me bastaria a isso um capítulo”.

Catacrese

Leia esses versos de “Composição Estranha”, de Ronaldo Tapajós e Renato Rocha:

1. Usei a cara da lua
2. As asas do vento
3. Os braços do mar
4. O pé da montanha
5. Criei uma criatura
6. Um bicho, uma coisa
7. Um não-sei-que-lá
8. Composição estranha

Nos versos 1 e 2, ocorre uma metáfora, pois existe uma relação de similaridade entre os termos “cara” – “lua” e “asas” – “vento”. Nos versos 3 e 4, apesar de pressupor o mesmo processo metafórico, os vocábulos “braços” e “pé” foram empregados fora de seu contexto próprio apenas para suprir uma lacuna vocabular, ou seja, na falta de termos próprios, usam-se eles.

A essa figura de linguagem chamamos catacrese.

Veja outros casos onde ocorre essa figura de expressão:

- “Enterrou a espada no dorso do touro com precisão”.

Enterrar significa “introduzir algo na terra” e, por similaridade (processo metafórico), está sendo usado na frase para designar o ato de introduzir algo no corpo do animal. Entretanto, esse sentido, de tão usado, já está apagado da intuição do falante, ou seja, de tão usual, já está desgastado.

Usa-se muito dessa figura de expressão no cotidiano, para nomear coisas que não sabemos o nome específico, como “dente de alho”, “batata da perna”, “braço da cadeira”, “pé-de-mesa”, entre outras.

Disfemismo

Leia a frase a seguir:

“Está falando de quem aí, seu rolha-de-poço.”

(rolha-de-poço= pessoa baixa)

Nessa oração, observe que a expressão “rolha-de-poço” foi usada para intensificar de maneira pejorativa uma característica comum a um ser (pessoa gorda). Desta forma, temos um caso de disfemismo.

O que é, então, disfemismo?

Definindo: disfemismo é o oposto do eufemismo. Enquanto no eufemismo ocorre uma suavização expressões desagradáveis (“passar desta para a melhor”, por exemplo, em vez de simplesmente “morrer”), no disfemismo há uma substituição de termos normais por outros mais vulgares.

“Na hora do boião, comeu como um cão faminto”.

(boião=refeição)

“Alguém viu a Olívia-palito saindo?”

(Olívia-palito= pessoa magra)

“Não gostei da recepção. Estava um fuzuê danado”.

(fuzuê=desorganização)

“Quem é que vai querer dançar com um pintor-de-rodapé?”

(pintor-de-rodapé=pessoa baixa)

O disfemismo é comumente empregado na oralidade. Como a língua falada é heterogênea e dinâmica, algumas dessas expressões caem em desuso, para dar lugar a outras mais atualizadas.

Exemplo disso são as expressões “cabueta”, “dedo-duro”, “linguarudo”, “boca aberta” cujo sentido remete tanto a uma pessoa que fala demais, como também àquele que fala o que não deveria. Raramente ouvimos os jovens usando essas expressões. Atualmente é mais comum usarem “x-nove”.

Eufemismo

Leia estes versos do poema “Antologia”, de Manuel Bandeira:

“Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar”.

Determinadas palavras e expressões, quando empregadas em certos contextos, são consideradas desagradáveis, ou por apresentarem uma idéia muito negativa ou por chocarem quem ouve. Por isso, é muito comum os falantes substituírem essas expressões por outras mais suaves, mais delicadas, que, mesmo tendo o mesmo sentido, causam menor impacto em quem as ouve.

Nesses versos, o poeta Manuel Bandeira refere-se à morte utilizando a expressão “Indesejada das gentes”. Existem varias expressões que suavizam a palavra morte, como “entregar a alma a Deus”, “partir desta para a melhor”, “bater as botas”, “encurtar os anos”, entre outras. Essas formas que atenuam expressões desagradáveis são chamadas eufemismos.

Observe atentamente estas afirmações:

“E fizeste isto durante vinte e três anos (…) até que um dia deste o grande mergulho nas trevas (…)” (Machado de Assis)

“Diante de tanta tristeza, ela preferir faltar com a verdade”.

Na primeira sentença, Machado de Assis usou a expressão “deste o grande mergulho nas trevas” para se referir à morte; na segunda, a expressão “faltar com a verdade” foi uma maneira suave de se referir à mentira. Portanto, são exemplos de eufemismo, figura de linguagem que consiste em empregar expressões suaves no lugar de outra desagradável ou chocante.

Durante muito tempo, as pessoas da raça negra eram qualificadas pelas formas eufemísticas “pessoas de cor” ou “morena”. Nas últimas décadas, entretanto, os movimentos negros brasileiros têm combatido essa forma de tratamento, entendendo que por trás do eufemismo, existe a idéia de que seria “feio” atribuir a característica “negra” a uma pessoa. Atualmente, os negros orgulham-se de ser considerados negros, pois, além da cor, essa característica identifica a cultura e a raça a que estão ligados.

Hipérbole

Leia a seguinte frase:

“Está muito calor. Os jogadores estão morrendo de sede no campo”.

Quando lemos essa afirmação, nunca imaginamos jogadores agonizando de sede num campo de futebol, pois compreendemos que o autor da frase fez uso do exagero para impressionar o interlocutor. Quando engrandecemos ou diminuímos exageradamente a verdade das coisas, estamos utilizando a hipérbole.

A hipérbole é exatamente oposta ao eufemismo. Enquanto no eufemismo suavizamos uma expressão chocante, na hipérbole expressamos exageradamente uma idéia, a fim de enfatizar essa informação. Essa figura de linguagem é bastante comum não só nos textos escritos, como na comunicação oral.

Veja os exemplos em textos escritos:

“Rios te correrão dos olhos, se chorares (…)” (Olavo Bilac)

“Brota esta lágrima e cai (…)
Mas é rio mais profundo
Sem começo e nem fim
Que atravessando por este mundo
Passa por dentro de mim”. (Cecília Meireles)

“Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses” (Caetano Veloso)

“Pela lente do amor
Vejo tudo crescer
Vejo a vida mil vezes melhor”. (Gilberto Gil)

Exemplo em textos falados:

“Já falei mil vezes com esse menino e ele não me obedece”.

“Vai passar um ônibus pro Inferno, mas não passa o do Novo Juazeiro”.

“Faz umas dez horas que essa menina penteia esse cabelo”.

“A roupa dela está tão curta que daqui a pouco ela está andando pelada na rua”.

“Já faz séculos que esse menino não toma banho, que, quando ele tirar essa roupa, ela vai sair correndo gritando: Me lava, por favor!”

Em suma, hipérbole é a figura de linguagem que consiste em expressar uma idéia com exagero.

Litote

Considere as seguintes orações:

“Estes não são maus conselhos”.

(não são maus= são bons)

“Até que você não está errada sobre isso”.

(não está errada= está certa)

Na primeira sentença, o locutor afirma serem estes “bons conselhos”, mas isso ele o faz mediante a negação do contrário de “bom” (que é mau). Já na segunda frase, afirma-se que “alguém está certo”, contudo isso é feito através da negação do seu oposto (que é errado).

Em ambos os casos, temos exemplos de litote, assim denominada por ser uma figura de linguagem que consiste em fazer uma afirmação pela negação do contrário.

Outros casos de litote:

“Quer ficar com todos os meus DVDs? Você não é nada bobo!”

(não é nada bobo= é esperto)

“Aquele ali é o seu novo namorado? Até que ele não é feio!”

(não é feio= é bonito)

“Bom, sua prima não é nenhuma Miss Brasil. Deixa disso!”

(não é Miss Brasil= era feia)

“O pobre coitado do cachorro não estava sem fome. Devorou em segundos os restos de comida que seu dono lhe atirara.”

(não estava sem fome= estava faminto)

Metáfora

Leia esses versos de Chico Buarque:

“Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira”.

Observe que o eu lírico mantém uma relação de similaridade entre os termos “boca” e “cadeado”, de modo que as características do “cadeado” (fechado) sejam atribuídas à “boca”. O mesmo ocorre entre os termos “corpo” e “fogueira” (ambos são quentes).

Existe aqui uma transferência da significação própria de uma palavra, no caso aqui “cadeado” e “fogueira”, para outra significação quem lhe convém graças a uma comparação existente no espírito do autor, ou seja, acontece de maneira implícita. A isso chamamos metáfora.

Veja outros exemplos de metáfora:

“O samba é o pai do prazer
O samba é filho da dor”.

(Caetano Veloso)

Nesses versos, o poeta faz referência a duas informações inerentes ao samba. Como “pai do prazer”, refere-se ao espírito festivo e contagiante que envolve a dança; como “filho da dor”, remete-nos a refletir sobre a origem do ritmo, dando ênfase ao sofrimento da raça negra desde o primeiro contato com o homem branco.

Os versos a seguir, de Cecília Meireles, apresentam um tipo diferente de metáfora:

“Pelos vales de teus olhos
de claras águas antigas
meus sonhos passando vão”.

Neste caso, “águas” e “vales” mantém uma relação de similaridade, fazendo-nos entender que os olhos de quem o eu lírico se refere estão marejados de lágrimas. Nesse caso, a metáfora aconteceu por substituição, ou seja, o vocábulo “águas” foi empregado no lugar de “vales”, evitando a repetição e adicionando mais um sentido a ela.

Em suma, metáfora é a figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra num sentido que não lhe é comum ou próprio, numa relação de semelhança entre dois termos.

Metonímia

Leia o poema “A laçada”, de Oswald de Andrade.

“O Bento caiu como um touro
No terreiro
E o médico veio de Chevrolé
Trazendo o prognóstico
E toda a minha infância nos olhos”.

No terceiro verso, o eu lírico, em vez de empregar a palavra “carro” preferiu utilizar “Chevrolé”, mantendo entre elas uma relação de inter-dependência, já que “Chevrolé” é uma marca de carro. Temos assim a metonímia, uma figura que consiste em usar uma palavra no lugar de outra, mantendo uma relação de implicação mútua, nesse caso, a substituição do produto pela marca.

Observe este outro exemplo de metonímia:

“Trabalhava ao piano, não só Chopin como ainda os estudos de Czerny”. (Murilo Mendes)

Nesse caso, uma relação de causa-efeito permitiu que o poeta usasse a palavra Chopin (compositor de uma partitura musical) para designar a própria partitura (a obra “causada” pelo autor).

A metonímia ocorre quando empregamos:

  1. O efeito pela causa ou vice-versa: “Conseguiu sucesso com determinação e suor” (trabalho).
  2. O nome do autor pela obra: “Ler Guimarães Rosa é um projeto desafiador” (a obra).
  3. O continente (o que está fora) pelo conteúdo (o que está dentro): “Bebeu só dois copos e já saiu cambaleando” (a bebida).
  4. O substantivo concreto pelo abstrato: “Tratava-se de um papo-cabeça” (intelectual).
  5. O abstrato pelo concreto: “Era difícil resistir aos encantos daquela doçura” (pessoa meiga, agradável).
  6. A marca pelo produto: “Comprei uma caixa de Gilette” (lâmina de barbear).
  7. O instrumento pela pessoa: “Quantos quilos ela come por dia?
    Quilos? Não sei, mas ela é boa de garfo” (o instrumento utilizado para comer). (Luiz Vilela)
  8. O lugar pelo produto: “Queria tomar um Porto fervido com maçãs” (o vinho).
  9. O sinal pela coisa significada: “O trono inglês está abalado pelas recentes revelações sobre a família real” (o governo exercido pela monarquia).
  10. O singular pelo plural: “O brasileiro tenta encontrar uma saída para suportar a crise” (um indivíduo por todos).
  11. A parte pelo todo: “Enormes chaminés dominam os bairros fabris da cidade inglesa”. (fábricas)
  12. A classe pelo indivíduo: “Depois desse episódio, não acredito mais no Juizado brasileiro” (os juízes).
  13. A matéria pelo objeto: “O jantar foi servido à base de porcelanas e cristais” (matéria de que é feito o objeto).

No cotidiano, a metonímia é também é muito empregada para orientar usuários em guias turísticos, terminais de transportes, ginásios esportivos, postos de gasolina e rodoviários, etc. Eles vêm em forma de criptogramas, imagens ou grupo de imagens que integram uma escrita sintética, resumida.

Onomatopeia

Leia esses versos de Jorge de Lima:

“(…) foguetes, bombas, chuvinhas,
chios, chuveiros, chiando,
chiando
chovendo
chuvas de fogo
chá – Bum?”

Observe que o eu lírico construiu o sentido do poema explorando palavras cujo som dos fonemas lembra a coisa representada. Ou seja, o que acontece nesses versos é a imitação, por palavras, do som natural das coisas. Chamamos essa figura de linguagem de onomatopeia.

Veja outros exemplos:

“E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis)

“Passa tempo
Tic-tac
Tic-tac
Passa hora chega logo
Tic-tac
Tic-tac
E vai-te embora
Passa tempo
Bem depressa
Não atrasa
Nem demora (…) (Vinícius de Morais)

“E tia Gabriela sogra grasnadeira grasnou graves grosas de infâmia.” (Oswald de Andrade)

Neste último exemplo, a repetição do som das letras “gr” imitam o som que expressa “raiva”, enfatizando assim o sentido que as palavras pretendem transmitir.

Exemplos de palavras onomatopaicas:

Atchim – espirro.
Piu-piu: canto do passarinho
Din-don: o som da campainha
Tibum: o som de alguém caindo
Buá: o choro de alguém
Snif: fungado.

Oxímoro / Paradoxo

Camões, tão conhecido poeta português, escreveu esses versos quase todos baseados em oxímoros. Leia os versos a seguir:

“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”.
(Camões)

Nestes versos, percebe-se que o poeta constrói o sentido do Amor-idéia, amor universal, filosofando a respeito do amor, não falando de seus sentimentos pessoais. Para isso, ele se apropria de elementos que, apesar de se excluírem mutuamente, se fundem num mesmo referente, constituindo afirmações aparentemente sem lógica.

Esse mesmo efeito de contradição acontece neste trecho de Carlos Drummond de Andrade:

“Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito espaço ultra fechado”.

Observe que a afirmação sublinhada contraria o consenso, englobando simultaneamente duas idéias opostas. A esse tipo de figura de expressão chamamos paradoxo ou oxímoro.

O oxímoro ou paradoxo é um tipo de antítese que se manifesta de uma maneira mais radical. Apesar de serem parecidas, elas se diferenciam por que no paradoxo duas idéias opostas se excluem mutuamente num mesmo referente, criando um efeito de contradição:

“A explosiva descoberta
Ainda me atordoa.
Estou cego e vejo.
Arranco os olhos e vejo”.
(Carlos Drummond de Andrade)

“Menino do rio,
calor que provoca arrepio”.
(Caetano Veloso)

Na antítese, no entanto, o sentido é construído a partir do confronto entre idéias opostas:

“Queria um apoio, um horizonte limitado, não o mar sem fim”.  (Autran Machado)

Em síntese, oximoro ou paradoxo é a figura de linguagem que consiste em empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se fundem num mesmo enunciado.

A canção “Sítio do Pica-pau amarelo”, de Gilberto Gil, também é famosa pelas características paradoxais que apresenta, em proporções admiravelmente inovadoras. Nela, a marmelada é feita de banana, a bananada de goiaba, entre outras.

“Marmelada de banana
Bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Boneca de pano é gente
Sabugo de milho é gente
O sol nascente é tão belo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
Rios de prata piratas
Vôo sideral na mata
Universo paralelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis)
No país da fantasia
Num estado de euforia
Cidade polichinelo
Sítio do pica-pau amarelo (bis).”

Prosopopeia

Leia os versos a seguir, de Carlos Drummond de Andrade:

“As casas espiam os homens
Que correm atrás das mulheres.”

Observe que o eu lírico atribui uma ação própria dos seres humanos – espiar – a seres inanimados, “as casas”, personificando-as. A esse recurso estilístico chamamos prosopopéia.

Essa figura de linguagem consiste em atribuir vida e sentimentos humanos às coisas inanimadas e fazer falar a ausentes e mortos. Pires afirma existir dois casos de prosopopéia:

  1. Personificação – reconhece traços e reações físicas de pessoas em coisas. Ex. “Os prédios são altos e se espreitam traiçoeiramente com binóculos na sombra”. (Rubem Braga)
  2. Animismo – reconhece reações espirituais nas coisas. Ex. “Naquela noite serena”.

Veja outros exemplos de prosopopéia:

“O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.
(Cecília Meireles)

“A ventania às vezes surpreendia
as janelas abertas do meu lar
e então as doces sombras se moviam
trêmulas, trêmulas a bailar”.
(Jorge de Lima)

“Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
– Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
(Machado de Assis)

A prosopopéia é bastante comum nas fábulas e apólogos, uma vez que nelas os animais e seres inanimados ganham vida e expressam características humanas: falam, pensam, brigam e expressam seus sentimentos.

Sinestesia

Leia este trecho de uma obra de Mário de Andrade:

“Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema”.

No período acima, Mário misturou diferentes tipos de sensações: visuais, olfativas e gustativas. A isso chamamos sinestesia, figura de palavra que consiste em agrupar e reunir sensações originárias de diferentes órgãos do sentido: visão, tato, olfato, paladar e audição.

Veja este outro exemplo:

“O sol de outono caía com uma luz pálida e macia”.

Neste caso, “pálida” e “macia” reúnem sensações de visão e tato, respectivamente. O uso dessa figura de expressão, além de embelezar o texto, amplia o sentido do termo a que se refere. O uso destes adjetivos nos faz ter uma melhor idéia desse tipo de luz solar: fraca, aconchegante, agradável.

Outros exemplos de sinestesia:

“Dirigiu-lhe uma palavra branca e fria como agradecimento”.

“Os carinhos de Godofredo não tinham mais gosto dos primeiros tempos”. (Autran Machado)

Em suma, sinestesia é a transferência de uma sensação sugerida por um sentido para outro sentido.

“As falas sentidas, que os olhos falavam
Não quero, não posso, não devo contar”. (Casimiro de Abreu)

Sinédoque

Leia os versos a seguir:

“A mão que toca o violão
se for preciso vai à guerra”.
(Marcos e Paulo Sérgio Vale)

Observe que o eu lírico usou o termo “mão” para designar o próprio indivíduo, estabelecendo uma relação de contigüidade, de proximidade entre o que elas representam. Ou seja, a parte (a mão) foi usada para referir-se ao todo (o próprio indivíduo). Veja outros exemplos:

- “O francês cultiva a arte culinária”. (os franceses)

- “Ao cair da tarde, o bronze soa triste”. (o sino)

Aqui, o termo “francês” foi empregado no singular para referir-se aos “cidadãos franceses”, no plural. No segundo exemplo, a matéria – o bronze – foi usada para designar o próprio objeto – o sino. A essa figura de expressão chamamos sinédoque, que consiste em empregar o todo pela parte, ou vice-versa, do mais para o menos, ou vice-versa.

Um exemplo de sinédoque bastante empregado no cotidiano:

“Nunca tive um teto para me abrigar”. (casa)

Sendo a sinédoque, na verdade, um caso de metonímia, muitas vezes os dois conceitos aparecem confundidos. Alguns autores consideram que, só quando a relação entre os termos é qualitativa é que ocorre a sinédoque. Sugere-se, porém, a distinção aqui feita.

Figuras de Construção ou Sintáticas

Aliteração

A aliteração é  a figura de linguagem que consiste na repetição de determinados elementos fônicos, ou seja, sons consonantais idênticos ou semelhantes. Veja um exemplo neste verso de Caetano Veloso:

“Acho que a chuva ajuda a gente se ver”.

Observe que o eu lírico dispôs nesta seqüência sons de natureza fricativa: /ch/ (surdo), /j/ e /g/ (sonoros). Para produzir esses sons, usamos o palato (céu da boca).

Agora observe estes versos que compõe a coletânea “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles:

“Olha a bolha d’água

no galho!

Olha o orvalho!”

Nesses versos, a repetição é do fonema constritivo palatal /lh/. Essa figura de linguagem é bastante utilizado por Cecília como recurso para alfabetização. Os poemas, vistos como uma brincadeira, despertam, através do efeito lúdico da arte, o poder intelectual da criança.

“Ah! Menina tonta,

toda suja de tinta

mal o céu desponta!

(Sentou-se na ponte,

muito desatenta…

E agora se espanta:

Quem é que a ponte pinta

com tanta tinta?…)

A ponte aponta

e se desaponta.

A tontinha tenta

limpar tinta,

ponto por ponto

e pinta por pinta…

Ah! a menina tonta!

Não viu a tinta da ponte!

(Tanta Tinta – Cecília Meireles)

Neste caso, Cecília apropriou-se da consoante linguodental /t/ e da bilabial /p/ para compor esse poema. Quando a aliteração ocorre com a finalidade de imitar o som dos seres, temos também um caso de onomatopéia.

Anacoluto

Leia este trecho da obra de Rubem Braga:

“Eu, porque sou mole, você fica abusando”.

Observe que o pronome “eu” encontra-se solto na frase, sem estabelecer uma relação sintática com nenhum dos outros termos, já que houve uma troca entre o pronome “eu” e “você”.

Neste exemplo temos um caso de anacoluto, figura de linguagem que consiste na quebra da estrutura sintática da oração. Segundo Douglas Tufano, o tipo de anacoluto mais comum é aquele em que um determinado vocábulo parece que vai ser o sujeito da oração, mas de repente a construção frasal se modifica e ele acaba sem função sintática.

“E a menina, para não passar a noite só, era melhor que fosse dormir na casa de uns vizinhos”. (Rachel de Queiroz)

Geralmente essa figura é utilizada para dar ênfase à pessoa, ou idéia, que consideramos mais importante numa determinada situação. O uso dessa figura também é muito utilizado na linguagem oral.

Veja outros exemplos de anacoluto:

“Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. (Manuel Bandeira)

“O relógio da parede eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”. (Rubem Braga)

No primeiro exemplo, o pronome “eu”, enunciado no início, não permanece ligado sintaticamente à oração “eis-me medonha e escura; no segundo, Braga dá um destaque maior à expressão “relógio de parede”, mas ela não estabelece uma relação sintática à frase “eu estou acostumado com ele”.

Anadiplose

Leia este trecho do romance Iracema, de José de Alencar:

“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel (…)”.

Observe que o escritor, nesses dois parágrafos que dão início à obra, utiliza de um recurso estilístico para dar ênfase à personagem cuja história é contada neste romance: ele inicia o segundo parágrafo com a mesma palavra utilizada no fim do primeiro parágrafo, repetindo, na sequência acima “Iracema, Iracema”, conforme foi sublinhado.

A esse recurso estilístico enfático chamamos anadiplose, figura de linguagem que consiste na repetição de termos já dispostos num fim de frase, ou verso, no início de uma sentença seguinte.

Veja outro caso de anadiplose neste trecho de uma cantiga retirada do romance “As Pupilas do Senhor Reitor”, do escritor português Júlio Diniz:

“Morena, morena

De olhos galantes

Teus olhos, morena

São dois diamantes:

São dois diamantes

Olhando-me assim

Morena, morena

Tem pena de mim”.

Ferreira Gullar também se utiliza deste recurso ao escrever o poema “Ovni”:

“(…) Eu guardo o espelho

o espelho não me guarda

(eu guardo o espelho

a janela a parede

rosa

eu guardo a mim mesmo

refletido nele):

sou possivelmente

uma coisa onde o tempo

deu defeito”.

Cruz e Sousa, poeta parnasiano, também utiliza a anadiplose nos seus versos:

“Sonho Profundo, ó Sonho doloroso,

doloroso e profundo sentimento!

Vai, vai nas harpas trêmulas do vento

chorar o teu mistério tenebroso”.

Já Caetano Veloso repete uma expressão que se encontra no meio de um verso:

“Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante

De uma estrela que virá numa velocidade estonteante”.

Manuel Bandeira também utiliza o recurso da anadiplose, no poema “O Grilo”, escrito em forma de diálogo:

- Grilo, toca aí em solo de flauta.

- De flauta? Você me acha com cara de flautista?

Analepse / Prolepse

Quando surge o termo analepse nos mais variados contextos, este pode parecer estranho, mas sua função é conhecida por muitas pessoas, porém, com outra nomenclatura, flashback, que nada mais é que uma recordação, uma lembrança. Apesar de o uso flashback ser mais corrente na linguagem do cinema, sua utilização também está na literatura, como em tantos outros meios, sendo seu sinônimo o vocábulo analepse.

No decorrer de uma trama, seja ela em filmes, obras literárias ou em outros meios, quando ocorre uma pausa para entrar em cena o fato já ocorrido, esta é chamada de interrupção cronológica. Um exemplo de analepse em livros é o caso de “As Irmãs Harker”, de Mina Ford, no qual, no transcorrer do texto, existem longas pausas para relembrar o passado das gêmeas.

Já em filmes, pode-se citar “O Curioso Caso de Benjamin Button”, onde toda a história é contada de trás para frente, num prolongado flashback, no qual o personagem principal, interpretado por Brad Pitt, nasce velho, porém com atitudes de um bebê, e morre neném, como se fosse o fim de sua vida.

Outro exemplo do cinema no qual encontra-se flashback, ou analepse, é “The Spirit”, que conta a história de um policial que morre durante seu trabalho e recebe uma injeção que o torna “quase” imortal. Todavia, a explicação para ele levar tantos tiros e golpes e não morrer, pelo efeito da injeção, só consta do meio pro final do filme, onde quem lhe aplicou o líquido, conta como foi. A partir disso, as cenas que aparecem o ex-policial levando a agulhada do vilão (ocorridas no passado) aparecem no decorrer da trama. No seriado LOST, os flashbacks foram muito utilizados no início da série, para contar a história dos passageiros do avião que caiu em uma ilha misteriosa.

Em contrapartida à analepse, está a prolepse, que significa o contrário, até como seus próprios prefixos deixam claro. Da mesma forma que a analepse, prolepse também é uma figura de sintaxe. A diferença é que este último termo em questão vai remeter ao futuro no decorrer do texto e até mesmo prever o futuro.

Essa previsão, citada anteriormente, aparece, muitas vezes, num adiantamento dos termos de uma oração, como é o caso de “As pessoas parece que gostam de dramas do cotidiano”. No exemplo em questão, “as pessoas”, que, na ordem direta, apareceria entre “que” e “gostam”, tornando a frase em: “Parece que as pessoas gostam de dramas do cotidiano”. Apesar da antecipação dos termos, não há erros, gramaticalmente falando, no perído citado.

Anáfora

Leia estes versos de Manuel Bandeira:

“Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia”.

Observe que o poeta inicia os três primeiros versos com a mesma expressão “Vi uma estrela”, com o objetivo de enfatizar essa idéia. Esse recurso usado tão frequentemente na poesia é uma figura de linguagem chamada anáfora.

Veja outro exemplo, agora nos versos de Vinícius de Moraes:

“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto da alegria e serenidade”.

A anáfora consiste em repetir uma palavra ou expressão a espaços regulares durante o texto. É muito comum nas trovas populares, cordéis e poemas.

“Noite – montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confusa noite. Noite à procura, mesmo sem alvo.” (Carlos Drummond de Andrade)

“Acorda, Maria, é dia
de matar formiga
de matar cascavel
de matar estrangeiro
de matar irmão
de matar impulso
de se matar”.
(Carlos Drummond de Andrade)

O poema “O último andar”, de Cecília Meireles, apresenta dois casos de anáfora: a repetição se dá nas expressões “último andar” e em “é lá que eu quero morar”, enfatizando o anseio do eu lírico em viver no último andar.

“No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua, no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem,
para ninguém os maltratar:
no último andar.

De lá se avista o mundo inteiro:
Tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:

no último andar.”

Assíndeto

Chamamos de assíndeto a figura de linguagem que consiste na omissão de conjunções entre orações dispostas em seqüência. Veja o exemplo a seguir, extraído da obra de Cyro dos Anjos:

“Fazia riscos, bordados, mandava vir rendas de Grã-Mogol, cosia com amor, aprendia a arte do bilro”.

Observe que as orações se dispõem em seqüência, separadas por vírgulas. Poderiam vir ligadas pelo conectivo “e”: “cosia com amor [e] aprendia a arte do bilro”; em vez disso, vêm justapostas.

Veja outros exemplos de assíndeto:

“Vim, vi, venci”.

“A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar”. (Cecília Meireles)

Nos dois exemplos, podemos observar o mesmo recurso expressivo: as orações estão separadas por vírgulas, omitindo-se o conectivo que ligaria as duas últimas orações de cada exemplo: “vi [e] venci”, no primeiro e “vencer [e] voltar”, do segundo verso do poema de Cecília Meireles.

Assonância

Segundo Orlando Pires, a assonância consiste na repetição da vogal tônica ou vocábulos com consoantes iguais e vogais distintas.

Veja os exemplos:

“Pássaro da lua

que queres cantar

nessa terra tua

sem flor e sem mar?”

(Cecília Meireles)

Nesses versos, a assonância se apresenta na repetição da vogal tônica “e” (queres, nessa, terra, sem), nas vogais “ua” (lua, tua) e na vogal “a” (pássaro, cantar, mar).

“A bela bola

rola:

a bela bola de Raul”.

(Cecília Meireles)

Nessa estrofe, os vocábulos são assonantes, pois apresentam consoantes iguais e vogais diferentes (bela, bola).

“É a moda

da menina muda

da menina trombuda

que muda de modos

e dá medo”.

(Cecília Meireles)

Nos versos acima, a assonância se apresenta através de consoantes iguais e vogais distintas (moda, muda, modos, medo).

Outros exemplos de assonância:

“Com seu colar de coral (repetição da vogal tônica)

Carolina

corre por entre as colunas (vogais diferentes entre consoantes idênticas)

da colina”.

(Cecília Meireles)

Tanta Tinta

Ah! Menina tonta

toda suja de tinta

mal o céu desponta!

(Sentou-se na ponte,

muito desatenta…

E agora se espanta:

Quem é que a ponte pinta

com tanta tinta?…)

A ponte aponta

e se desaponta

A tontinha tenta

limpar a tinta

ponto por ponto

e pinta por pinta…

Ah! a menina tonta!

Não viu a tinta da ponte.

(Cecília Meireles)

Esse recurso estilístico é muito utilizado na poesia, e constitue um importante elemento na intensificação da musicalidade dos versos.

Clímax / Gradação

Leia este trecho da obra de Machado de Assis:

“Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensangüentados (…)”.

Observe que as idéias dispostas nesse texto estão organizadas seguindo uma ordem progressiva, ou seja, de uma menor proporção para uma maior.

Agora veja esse outro exemplo, retirado da obra de Monteiro Lobato:

“Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.”

Observe que as idéias continuam dispostas numa mesma ordem progressiva, só que agora segue uma proporção decrescente. Em ambos os casos ocorre a gradação, figura de linguagem que consiste em organizar uma seqüência de palavras ou frases no sentido de intensificar progressivamente uma determinada idéia.

O nome clímax é também dado a essa figura de linguagem em virtude de ela se dispor da mesma maneira do “clímax” enquanto característica do romance, momento de maior tensão da narrativa, que antecede o desfecho. Alguns gramáticos consideram que, quando a gradação ocorre de maneira decrescente, configura-se o “anticlímax”.

Outros casos de onde ocorre a gradação:

“Ninguém deve aproximar-se da jaula, o felino poderá enfurecer-se, quebrar as grades, despedaçar meio mundo”. (Murilo Mendes)

Elipse

Leia a seguinte afirmação, extraída da obra de Autran Dourado:

“A praia deserta, ninguém àquela hora na rua”.

Observe que após o vocábulo “ninguém”, está implícito o verbo “estava”. Ele não aparece na afirmação, mas podemos notar sua ausência pelo contexto. Por isso dizemos que aqui ocorreu elipse do verbo estava.

Veja esta outra sentença:

“No fim da festa, sobre as mesas, copos e garrafas vazias”.

Nesta frase, podemos identificar facilmente a ausência do verbo haver (No fim da festa haviam, sobre as mesas, copos e garrafas vazias). Portanto, podemos afirmar que, neste caso, também ocorreu elipse do verbo haver.

Elipse é a figura de linguagem que consiste em omitir um termo da frase que não foi enunciado anteriormente na frase, mas podemos facilmente identificá-lo pelo contexto.

Outros exemplos:

“Na casa vazia, nenhum sinal de vida” – elipse da expressão “não havia”.

“A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos” (Carlos Drummond de Andrade) – elipse da conjunção “se”, antes de “não”.

Epíteto

Leia estes versos do poeta português Camões:

“Fogem as neves frias
Dos altos montes; quando reverdecem
As árvores sombrias”.

No primeiro verso, o poeta descreve “as neves” como sendo “frias”, características estas que já é própria da neve, enfatizando assim essa qualificação. Essa figura que consiste em qualificar um nome através de uma característica que já lhe é inerente chamamos de epíteto.

Veja outros exemplos:

“O outono vem entrando
E logo o inverno frio
que também passará por certo fio”. (Camões)

“O cavalo sacode a crina
loura e comprida
e nas verdes ervas atira
sua branca vida”. (Cecília Meireles)

“A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu”. (Manuel Bandeira)

Ocorre epíteto nas seguintes expressões: no segundo verso de Camões, “inverno frio”; na segunda estrofe do poema de Cecília, em “verdes ervas”; no segundo verso de Manuel Bandeira, em “céu azul”.

Na linguagem coloquial, o epíteto é comumente usado em expressões como:

“Aceita um cafezinho preto?”.
“A comida dele foi um pouco de arroz branco”.
“Esse menino só quer brincar com menina mulher”.

Nos dois primeiros exemplos, as expressões “cafezinho preto” e “arroz branco”, usadas na fala, excluem a possibilidade de outros alimentos na refeição; ou seja, quando se oferece “cafezinho preto”, significa dizer que só há café, não há biscoitos, pães, ou outros alimentos para serem servidos. Em contrapartida, quando se diz “Vamos tomar café?”, significa dizer que será um café-da-manhã. O mesmo ocorre em “arroz branco”, que quer dizer o mesmo que arroz puro, sem nada que o acompanhe.

Hipérbato

“Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco.”

(Gonçalves Dias)

Lendo os versos acima, percebemos que houve uma mudança na ordem dos termos da oração. Não aconteceu apenas uma inversão do sujeito e predicado. O adjunto adnominal “do tamarindo”, comumente localizado após o substantivo “flor”, apareceu no início dos versos. Na ordem direta, estariam na seguinte forma:

“Há pouco a flor do tamarindo abriu-se.”

Nesses versos de Gonçalves Dias ocorre o hipérbato, figura de linguagem que consiste na inversão brusca da posição normal dos termos de uma oração ou das orações de um período.

Leia o seguinte verso de Camões:

“Da lua os claros raios rutilavam”

Na ordem direta, o verso estaria disposto desta maneira:

“Os claros raios da lua rutilavam”.

O hipérbato, a anástrofe e a sínquise são figuras de sintaxe que têm por característica a inversão dos termos da oração ou dos períodos. Alguns gramáticos afirmam que ocorre anástrofe quando a inversão ocorre geralmente entre o sujeito e predicado. No hipérbato, afirmam ser essa alteração mais forte, como no exemplo de Camões. Na sínquise, essa mudança será tão acentuada que prejudicará a compreensão em uma primeira leitura.

Outros exemplos de hibérbato:

“O som longínquo vem-se aproximando

do galopar de estranha cavalgada.”

(Raimundo Correia)

Ordem direta: O som longínquo do galopar de estranha cavalgada vem-se aproximando.

“E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos

Brilhou no céu da Pátria nesse instante”.

Ordem direta: O sol da Liberdade brilhou em raios fúlgidos no céu da Pátria nesse instante.

Paranomásia

Leia a frase a seguir:

“O diretor ratificou que ele mesmo fizera as retificações no documento”.

Observe que, na sentença acima, há o emprego de duas palavras parecidas, e pouco utilizadas no português falado, o que às vezes até compromete o sentido da oração.

Os vocábulos ratificar (= confirmar) e retificar (=corrigir) são classificados como parônimos pela gramática tradicional, pois possuem semelhança na pronúncia e na escrita, mas possuem significados totalmente diferentes.

Quando numa mesma sentença temos o emprego de palavras parônimas, ou seja, palavras de sons parecidos, dizemos que ocorreu aí a paranomásia, figura de linguagem que consiste no emprego de palavras parecidas, numa mesma sentença, gerando uma espécie de trocadilho.

O desconhecimento do sentido real destas palavras compromete efetivamente na não-compreensão do que está sendo dito pelo locutor.

Observe neste poema de Manuel Bandeira:

“Neologismo”

“Beijo pouco, falo menos ainda.

Mas invento palavras

Que traduzem a ternura mais funda

E mais cotidiana.

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

Intransitivo:

Teadoro, Teodora”.

Neste contexto, o poeta faz um trocadilho entre a junção do pronome oblíquo “te” + o verbo “adorar”, formando o neologismo “teadorar” e o nome da pessoa amada, “Teodora”. No último verso, “Teadoro, Teodora”, percebemos que nesse trocadilho temos o emprego da paranomásia. Os sons são parecidos, mas quanto ao sentido, esses são diferentes.

Veja outros exemplos onde ocorre a paranomásia:

“Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias” (Padre Antonio Vieira)

premissas=        antecedentes

primícias= primeiros frutos (simbolicamente, algo muito bom)

“O homem fardado tentava a todo custo explicar à mulher que ela estava infringindo a lei. Como não lhe dera ouvidos, levou-a ao xadrez, infligindo-a as mais duras provações, desde engraxar suas botas até lavar os banheiros dos detentos.”

Infringir= desrespeitar, cometer infração.

Infligir= submeter, aplicar castigo.

Pleonasmo

Observe as seguintes afirmações:

“Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
“A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa)

Na primeira afirmação, o escritor utiliza o verbo cantar, que já traz consigo a idéia de canto (quem canta, logicamente canta um canto). Na segunda, de Guimarães Rosa, os vocábulos “ameaça” e “perigo” fazem parte de um mesmo eixo significativo: são sinônimas. Entretanto, o escritor usou as duas, a fim reforçando a idéia que queria transmitir.

Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma idéia estamos utilizando a figura de linguagem chamada pleonasmo. Quando bem elaborada, além de embelezar o texto, esta figura de linguagem intensifica e destaca o sentido da expressão onde foi empregada.

“A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”. (Manuel Bandeira)

Deve-se evitar, entretanto, o uso de pleonasmos viciosos. Estes não têm valor de reforçar uma noção já implicada no texto. Antes são fruto do desconhecimento do sentido das palavras por parte do falante. O pleonasmo vicioso é muito utilizado na modalidade oral, o que acaba influenciando a modalidade escrita. Veja alguns exemplos:

“Menino, entre já para dentro”.

“Eu fui fazer um hemograma de sangue hoje de manhã”.

“Joana sofre de leucemia no sangue”.

“Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer”.

“A protagonista principal do filme ‘O sorriso de Monalisa’ é Julia Roberts”.

Polissíndeto

Polissíndeto e assíndeto possuem características opostas. Enquanto assíndeto é a figura de linguagem que omite conectivos entre as orações que estão em seqüência, polissíndeto é a figura que consiste em repetir os conectivos entre as orações dispostas em seqüência.

Observe esses exemplos:

“Se era noivo, se era virgem,
Se era alegre, se era bom,
Não sei.
É tarde para saber”. (Carlos Drummond de Andrade)

“Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge”. (Rubem Braga)

Nos versos de Drummond, veja que houve a repetição da conjunção “se”; na afirmação de Rubem Braga, o que se repete é a conjunção “nem”, uma maneira bem criativa e cômica de se dizer que o telefone dele não funcionava de maneira alguma.

Para diferenciarmos bem polissíndeto de assíndeto, leia esta afirmação:

“Trejeita, e canta, e ri”

Neste exemplo, houve a repetição do conectivo “e”: temos, portanto um caso de polissíndeto. O mesmo exemplo seria assíndeto se estivesse sem as conjunções, desta maneira:

“Trejeita, canta, ri”

Silepse

Leia a seguinte sentença:

“Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães Rosa)

Neste período, o escritor usou o adjetivo “novo” concordando com o sexo da pessoa que fala (masculino) e não com a palavra gente (feminino). Este é um exemplo de silepse, figura de sintaxe ou construção que se caracteriza por concordar com a idéia que se quer transmitir, não com os termos que aparecem na oração.

Essa figura de construção subclassifica-se em três tipos:

  1. Silepse de pessoa: “Enfim, lá em São Paulo todos éramos felizes graças ao seu trabalho…” (Rubem Braga)

Ocorre a silepse em “éramos”, que está na primeira pessoa do plural, quando, em sua construção normal, deveria estar na terceira pessoa do plural.

  1. Silepse de número: “Ninguém que comprar. Se ainda estamos aberto é por honra da firma”. (José J. Veiga)

Ocorre a silepse em “aberto”, que está no singular, quando em sua normal construção deveria estar no plural, concordando com o verbo “estamos”.

  1. Silepse de gênero: “Já vem chegando o sol, e São Paulo desperta, a princípio tímida, e logo agressiva e barulhenta”.

Ocorre a silepse em tímida, que está no feminino (fazendo referência à cidade), quando em sua normal construção deveria estar no masculino.

A silepse é um recurso estilístico muito utilizado em textos literários, na oralidade. Ela consiste em estabelecer uma concordância com palavras ou noções pressupostas na frase, não com palavras explícitas.

Veja outros exemplos de silepse:

  • “Vossa Majestade parece cansado”. (concorda com “ele” – masculino –  silepse de gênero)
  • “O pessoal ficou apavorado e saíram correndo”. (concorda com “todos” – plural – silepse de número)
  • “Os brasileiros gostamos de futebol”. (concorda com nós – primeira pessoa – silepse de pessoa)
  • “E todos seguimos para o salão de estudos”. (José Lins do Rego) (concorda com nós – primeira pessoa – silepse de pessoa)
  • “Rio de Janeiro continua maravilhosa, agitada e violenta” (concorda com a cidade – feminino – silepse de gênero)

Sínquise

Como diz a própria palavra, que provém do grego e significa “mistura”, “confusão”, Sínquise é uma figura de linguagem e consiste numa violenta inversão da ordem direta dos termos da oração, de modo que, numa primeira leitura, torna-se difícil a compreensão do enunciado.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante.”

No Hino Nacional Brasileiro, é constante a inversão dos termos da oração. Existem alguns mais suaves (onde ocorre a anástrofe), outros mais bruscos (onde ocorre o hipérbato), mas neste caso, onde a inversão compromete o sentido numa primeira leitura, ocorre a sínquise, promovendo uma “confusão artística” das palavras. Inicialmente, não sabemos “quem ouviu o quê”, mas depois, analisando os termos, podemos organizá-los na seguinte ordem:

“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico”.

Exemplos de sínquise na literatura:

“Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre guilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo Espaço da Pureza”.

“Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da dor no calabouço, atroz, funéreos”

(Cruz e Sousa)

“Do tamarindo a flor jaz entreaberta,

Já solta o bogari mais doce aroma,

Também meu coração, como estas flores,

Melhor perfume ao pé da noite exala!”

(Camões)

Alguns teóricos afirmam que essa “confusão artística de palavras” que ocorre na sínquise é consequência da junção de diversas figuras de linguagem como de hipérbatos, anástrofes, anacolutos e outras figuras de omissão ou repetição.

Zeugma

Zeugma e elipse possuem características parecidas. Enquanto na elipse existe a omissão de um termo não mencionado antes, na zeugma ocorre a omissão de um termo ou expressão anteriormente mencionada. Veja os exemplos:

“Um deles queria saber dos meus estudos; outro, se trazia coleção de selos (…)” (José Lins do Rego).

“A manhã estava ensolarada; a praia, cheia de gente”.

“A vida é um grande jogo e o destino, um parceiro temível (…)” (Érico Veríssimo)

Na primeira sentença, ocorre a omissão da expressão “queria saber”, já mencionada na primeira frase. Na segunda, está omisso o verbo “estava”, também presente na primeira afirmação. Na de Érico Veríssimo, está omisso o termo “é”, também mencionado na frase anterior.

Esta figura de linguagem, apesar de seu nome nada convencional, é bastante utilizada na modalidade escrita, pois é um recurso que possibilita não repetir o que já foi dito.

“Maria comprou um lápis; Antônio, um livro”.

“Quem me compra este
formigueiro?”

E este sapo, que é jardineiro?”
(Leilão de jardim – Cecília Meireles)

“Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.”
(As meninas – Cecília Meireles)

About these ads
Comments
5 Responses to “Figuras de Linguagem”
  1. Davi Paulo disse:

    Parabéns pelo site.
    Achei muito elucidativo esse artigo. Me esclareceu muitas dúvidas.
    No entanto, gostaria muito de saber em qual obra de Murilo Mendes se encontra-se essa citação:

    “Trabalhava ao piano, não só Chopin como ainda os estudos de Czerny”.

    Aguardo.

  2. jaaine cruuz NWST disse:

    mto legal esse site…
    tds oos meus trabalhos são feitos daki
    seempre tiro notas bouas
    ee o melhor de tuudo eu não perco naadaa
    amo mto aa WIKIPÉDIA…
    PARABENS PRA QUEEM INVENTOOU ESSE SITE
    MTO LEGAL MSM
    S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2S2

  3. Ótimo, fiz um poema muito lindo!!! Valeu!

  4. Ótimo , parabéns !! Me ajudou muito , rs! Sério ;)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 45 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: