Geografia Física I: Relevo

 

Ecossistemas são sistemas abertos. Há entrada de energia, como o sol, e saída de detritos. No Brasil, ecossistemas são definidos pela paisagem, levando-se em conta aspectos do relevo e clima.

 

Ecossistema é um termo originário da ecologia, que se refere à idéia de que
os sistemas naturais são comandados por fluxos de matéria e energia, que atuam
tanto entre o meio físico e os organismos vivos como no interior da comunidade
biótica. Os ecossistemas são sistemas abertos, pois estão conectados a ambientes
de entrada -fonte de energia, materiais e organismos – e de saída – para onde fluem
materiais processados, e também organismos e energia. A abrangência de um
ecossistema é definida pelas necessidades do observador. Uma lagoa pode ser
tratada como ecossistema, assim como uma vasta floresta.

No caso brasileiro, costuma-se denominar ecossistemas grandes
domínios paisagísticos, para a definição dos quais considera-se aspectos do
relevo e dos climas. As formações vegetais são o elemento-síntese dos domínios,
pois alterações pequenas nos outros elementos provocam mudanças bruscas
na cobertura vegetal.

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O relevo brasileiro


O relevo brasileiro é resultado da ação da erosão e do intemperismo, que
desgasta e aplaina os escudos cristalinos, sobre uma base geológica muito antiga,
e da lenta configuração das bacias sedimentares, através dos processos de
acumulação. Isso explica a baixa altimetria que o caracteriza e o predomínio de
um modelado de formas suaves e arredondadas. Os principais agentes da
morfologia do relevo, também chamados de agentes do modelado, são os rios,
as chuvas e as temperaturas.

No Brasil, a presença de uma rede hidrográfica muito rica, na qual predomina
o regime tropical (chuvas abundantes no verão), alia-se às temperaturas médias
elevadas características da maior parte do território na formação de três unidades
de relevo: os planaltos, as depressões e as planícies.

Os planaltos resultam da ação destrutiva dos agentes do modelado: são
áreas onde o processo de erosão predomina sobre o processo de deposição de
sedimentos. Ao contrário do que sugere o nome, os planaltos apresentam superfícies
irregulares, formadas por serras, chapadas e morros. Por definição, os planaltos
situam-se em cotas altimétricas superiores a 300 metros.

Os planaltos brasileiros situam-se tanto em áreas cristalinas do Escudo
Brasileiro (por exemplo: os Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste) ou do
Escudo das Guianas (os Planaltos Residuais Norte-Amazônicos) como em áreas
sedimentares das bacias do Paraná e do Meio-Norte.

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NORTE – planaltos

Planaltos residuais. cristas e nascentes.

Ao norte das depressões amazônicas, junto às fronteiras com as Guianas e
a Venezuela, encontram-se alguns dos pontos mais elevados do Brasil, como o
Pico da Neblina, com 3.014 metros e o Pico 31 de Março, com 2.992 metros.
Trata-se da linha de serras dos Planaltos Residuais Norte-Amazônicos, constituída
por cadeias de morros pontiagudos (cristas). Essas áreas abrigam as nascentes de
inúmeros afluentes e subafluentes da margem esquerda do Rio Amazonas, como os
rios Negro e Branco, Trombetas e Jari, cujos cursos seguem a declividade natural
do relevo, dirigindo-se para o sul.

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SUDESTE – planaltos

Mares de Morros, Serras do Espinaço ( quadrilatero ferrírfero) e Serra da Mantiqueira. Vales com Rio P. do Sul, Jequitinhonha e Doce.

O Brasil do Sudeste também exibe cadeias de morros como as serras do
Espinhaço (que abriga as grandes jazidas minerais do Quadrilátero Ferrífero) e da
Mantiqueira. Nos vales encaixados entre as linhas de serras, abrigam-se importantes
rios, como o Jequitinhonha, o Doce e o Paraíba do Sul.

A elevada umidade do ar, acentuando o intemperismo, e o trabalho de erosão
das chuvas modelaram paisagens características. Os mares de morros, típicos da
Serra da Mantiqueira, são formados por elevações suavemente arredondadas que
se sucedem ininterruptamente até o horizonte.

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SUDESTE-SUL – planaltos

Área de transição: Serra do Mar com escarpas. Terrenos sedimentares areníticos do Paraná: Terra Roxa.

Nessa área, aparecem os morros em meia laranja, que atestam o longo
processo de desgaste próprio dos climas tropicais úmidos. As escarpas aparecem
na transição entre áreas rebaixadas e planaltos, funcionando como imensos “degraus”
que demarcam altimetrias muito diferentes. Freqüentemente, as escarpas têm
denominações tecnicamente inadequadas, como é o caso da Serra do Mar, que
separa a baixada litorânea dos planaltos no Sudeste e Sul do país.

Os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná exibem terrenos sedimentares
areníticos, onde ocorreram derrames vulcânicos datados da Era Mesozóica. A
decomposição do basalto deu origem à famosa terra roxa, o solo de maior
fertilidade natural do país.

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CENTRO OESTE – planaltos

O planalto é interrompido por chapadas e chapadões. Brasilia e varias nascentes se encontram ali. Dai, Tapajós e Guaporé rumam em direção a Bacia Amazônica enquanto Rio Paraguai forma o eixo fluvial do Pantanal Matogrossensse.

Nesses planaltos, como também no dos Parecis, no Centro-Oeste, as
paisagens apresentam-se completamente diferentes. As altitudes médias situam-se
entre 200 e 500 metros, configurando uma paisagem extensivamente aplainada,
apenas interrompida pelas chapadas e chapadões. Tais formações, elevadas e
aplainadas, são delimitadas por taludes abruptos e funcionam como divisores de
águas. Brasília foi erguida sobre uma dessas elevações, a quase 1200 metros de
altitude.

No Centro-Oeste, tais planaltos comportam-se como divisores entre bacias
hidrográficas. Rios como o Tapajós e o Guaporé têm as suas nascentes na Chapada
dos Parecis e dirigem-se para o norte, rumo à calha amazônica. O Rio Paraguai tem
suas nascentes na Chapada dos Parecis, antes de rumar para o sul e receber as
águas de dezenas de afluentes, formando o eixo fluvial do Pantanal Mato-grossense.

A chapada funciona como divisor entre as águas da Bacia do Paraguai e as da
Bacia do Amazonas.

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NORDESTE – planaltos

No Nordeste ocidental, os planaltos e chapadas da Bacia do Parnaíba
exibem terrenos sedimentares e altitudes geralmente modestas. As chapadas separam
vales de rios perenes – como o próprio Parnaíba, o Mearim e o Pindaré – ou rios
temporários, típicos do sertão do Piauí.

A elevação mais importante é a do Espigão Mestre, entre a Bahia e os
estados de Tocantins e Goiás, que separa os afluentes do Rio São Francisco dos
afluentes do Rio Tocantins.

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NORDESTE – depressões

As depressões também exibem predomínio de processos erosivos. A longa
duração desses processos gerou superfícies suavemente inclinadas e bastante
aplainadas. As depressões brasileiras situam-se em cotas altimétricas entre os 100
e os 500 metros.

São depressões tipicamente caracterizadas os altos e médios vales dos rios
Tocantins e Araguaia, cujas nascentes situam-se no Centro-Oeste. O Tocantins e o
Araguaia se dirigem para o norte, acompanhando os degraus do relevo e originando
quedas d’água. Nesse trajeto, o Araguaia forma a Ilha do Bananal, a maior ilha
fluvial do país.

A Depressão Sertaneja e do São Francisco configura, na sua porção
meridional, um longo corredor encaixado entre áreas planálticas, acompanhando o
curso do Rio São Francisco através de Minas Gerais e da Bahia. No passado, esse
foi um importante caminho de interiorização seguido pelos vaqueiros e criadores
nordestinos.

Na sua porção setentrional, dominada pelo clima semi-árido, a depressão
abriga inúmeros rios temporários que, na curta estação chuvosa, percorrem o sertão
de Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Nessa área, o grande
Planalto da Borborema interrompe a depressão, assinalando a transição para o
litoral úmido. A face oeste da Borborema, voltada para o interior, está sujeita a
longas secas. A face leste recebe os ventos úmidos do litoral que, em contato com
o ar mais frio da escarpa, provocam chuvas freqüentes e propiciam condições ideais
para o cultivo de frutas tropicais.

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SUL  E SUDESTE  – depressões

No Sul e Sudeste, as depressões desenham um imenso S que se prolonga
de São Paulo ao Rio Grande do Sul, separando os terrenos cristalinos do oriente
dos derrames vulcânicos da Bacia do Paraná.

Na zona de contato entre os terrenos vulcânicos da Bacia do Paraná e os terrenos sedimentares (menos resistentes) das
depressões, a erosão diferencial originou uma linha de cuestas. As cuestas,
conhecidas localmente como serras, apresentam uma vertente de declínio suave,
em direção à calha do Rio Paraná, e outra de inclinação abrupta, no contato com os
terrenos sedimentares. No Estado de São Paulo, as cuestas formam paisagens
características.

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PLANICIES

As planícies, ao contrário dos planaltos e depressões, são áreas onde o
processo de sedimentação se sobrepõe ao processo de erosão. A acumulação de
sedimentos realiza-se pela ação das águas dos rios, do mar ou de lagos. As planícies
situam-se em cotas altimétricas inferiores a 100 metros.

Há algumas décadas, vastas áreas da Amazônia eram consideradas uma
imensa planície. Essa crença, fundada na ignorância das altimetrias escondidas
sob a floresta equatorial e dos processos geomorfológicos atuantes na área, foi
desfeita pelo levantamento aerofotogramétrico da região. Atualmente, sabe-se
que a verdadeira planície restringe-se a uma estreita faixa que acompanha o vale
do Rio Amazonas e o baixo curso de alguns dos seus afluentes. Essa planície é
rodeada por depressões e planaltos sedimentares, que estão, por sua vez,
encaixados entre os planaltos residuais norte e sul-amazônicos, cristalinos e mais
elevados.

Na planície verdadeira – o vale inundável dos grandes rios – onde ocorre
intenso trabalho de sedimentação quaternária, predominam os processos de
deposição. Nas depressões e planaltos sedimentares circundantes (chamados, na
denominação regional, terra firme), a sedimentação é terciária e predominam os
processos erosivos.

A Planície e Pantanal Mato-grossense, por outro lado, é a mais típica planície
brasileira. Assentada sobre terrenos sedimentares da Era Quaternária, constitui parte
de uma vasta depressão relativa encaixada entre a Cordilheira dos Andes e os
planaltos do Escudo Brasileiro, denominada Chaco. O Chaco abrange terras
brasileiras, paraguaias, argentinas e bolivianas, funcionando como bacia de captação
de cursos fluviais provenientes das áreas circundantes.

O eixo dessa bacia de captação é formado pelo Rio Paraguai. Durante a
época das chuvas, no verão, o Rio Paraguai e os seus afluentes – como, em terras
brasileiras, o Cuiabá, o Taquari, o Negro e o Miranda – inundam grande parte das
terras deprimidas e as transformam em uma enorme área de deposição de
sedimentos.

As Planícies e Tabuleiros Litorâneos estendem-se do Maranhão ao Rio
Grande do Sul. De norte para sul, as planícies litorâneas tornam-se mais estreitas,
chegando quase a desaparecer em trechos da costa Sul e Sudeste.

Planícies do litoral sao interrompidas por tabuleiros como este, planos levemente inclinados na direção mar que terminam em uma abrupta falésia.

 

Tanto no Nordeste como no Sul, as planícies são interrompidas por
tabuleiros: superfícies de baixa altitude, com topo bastante aplainado e acentuados
declives na face voltada para o mar. Tais declives são chamados falésias, quando
constituídos por rochas cristalinas, ou barreiras, quando constituídos por rochas
sedimentares.

No trecho nordestino, onde se alargam, as planícies litorâneas exibem uma
grande variedade de paisagens, como os cordões arenosos e dunas do Ceará e as
lagoas e brejos de Alagoas. No Sudeste, as planícies, freqüentemente interrompidas
pelas majestosas escarras da Serra do Mar, descortinam as restingas e lagunas do
Rio de Janeiro e as praias e baixadas de São Paulo.

O relevo brasileiro é constituído, predominantemente, por planaltos e
depressões. Isto significa que os processos erosivos predominam sobre os processos
de sedimentação na maior parte do território. As planícies ocupam uma porção
relativamente pequena do território, correspondendo aos vales de importantes rios
e à maior parte da extensa faixa costeira.

 

Regina Célia Araújo – Manual de Geografia FUNAG

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